Criança feliz

Vocês precisam conhecer o Daniel — criança especial, muito especial, passando dos cinco para os seis anos. Como quase todas nessa idade, desconsertam adultos que jamais esperam de alguém, que acabou de chegar a esta vida, conceitos tão simples, puros – verdadeiros. Se déssemos a atenção devida, aprenderíamos mais com elas e tudo seria melhor. Criança faz bem pra gente grande; só gente grande não percebe.

Daniel não é paparicado, mimado, não tem tudo o que quer – só porque quer, mas sabe o que quer. E ensina, desde essa idade pequena, a diferença entre querer e precisar. Claro, tem seus momentos de capricho, de manha, de zanga. Mas quando está de bem com tudo, arrebata. Conversar com ele é mergulhar no fascínio. É ele quem conduz o diálogo e nos leva a descobertas surpreendentes. Nasceu predestinado, no dia de Santa Teresinha de 1995. Pudera, os pais me comunicaram assim o advento: “Ganhamos um projeto de Deus para executar!”.

Filho de um cientista, o Evaristo Miranda, e de uma jornalista, a Liana John, não é a toda hora que ele pode dispor da companhia permanente dos pais. Melhor assim. Às vezes, passa dias e dias longe de um ou do outro, forçado pelas circunstâncias profissionais de cada um. Mas quando se reencontram, é impossível dizer quem está mais feliz ali. O brilho dos olhos do Daniel magnetiza quem observa. Cintilam diferente, prenúncio de quem descobriu a definição certa para aquele momento.

E é com esse brilho que ele dá suas respostas mais contundentes.

Dia desses, nosso Evaristo chegou de viagem e, enquanto desarrumava as malas ao lado do filho, tocou o telefone. Era o jardineiro. “O que faz um jardineiro, pai?”. O cientista esclareceu da forma mais esperada: “Ele vem cortar o jardim, que está muito grande”. O filho comentou da forma mais certa e inesperada: “Mas um jardim não é para ser cortado! O jardim tem de ser pintado, como faz o Claude Monet…”

Pregado no poste: “Pelo menos uma vez, tente obedecer ao seu filho: um dos dois vai aprender”

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