Cria fama…

Vou fazer esta crônica, antes que o Cecílio Elias Neto pegue o mote e esculache de vez. Foi muito gozado. O Correio Popular de terça-feira, dia 6, que só me chegou ontem, traz no caderno “Cidades” uma notícia com o seguinte título: “Homossexuais disputam espaço em Campinas”. Parece provocação. Ainda existe campineiro que fica uma “arara” com essa história. Duvida? Pergunte ao Roberto Godoy. Ele conhece todos. Sei de gente que até licencia o carro em outra cidade para “não dar bandeira”. Outros, brincando, claro, falam em criar um movimento de combate, com quartel-general armado no Largo do Pará.

Quem escreveu o texto, então, já deve estar tão acostumado com as brincadeiras, que nem percebeu as sutilezas e ironias que podem ser exploradas por quem lê a notícia com preconceito ou espírito malicioso. Um trecho diz assim: “A briga revelou uma ‘disputa por território’ entre homossexuais de Campinas e São Paulo”. Mais adiante: “Esse homem manteve ‘Melissa’, ‘Sabrina’ e Reginaldo Batista da Silva encurralados (!) num canto da lanchonete”. E arremata: “A ‘Melissa’ alega ter sofrido ferimentos no braço e nos seios (!)”.

Pior. Uma semana depois, no Rio de Janeiro, um “pai que é cego” desconfiou do comportamento sexual do filho, ainda menor de idade. Encontrou uma papelada e pistas suspeitas na Internet no quarto do… da… do (vá lá!) rapaz e acionou a Polícia Federal. Bingo! 0… garoto estava mesmo em Campinas (não poderia ser em outro lugar?), participando de um provável encontro de travestis (e daí?), marcado através da rede mundial. Deu no Correio e deu no Globo. (Cabe aqui um esclarecimento: no jargão jornalístico, “deu” quer dizer, “saiu publicado”).

A fama é mais antiga do que se pensa. Vem do Império, derivada do requinte e afetação da nobreza da terra. Entrou neste século e se espalhou, protagonizada por um ilustre campineiro formado em Medicina na França, especialista em anestesia. Trabalhava num hospital do Rio de Janeiro, não resistiu, atacou um recém-operado de apendicite e teve o diploma cassado. A vítima do “ataque” morreu. O compositor Assis Valente fez marchinha de Carnaval para esse campineiro, já tipo popular entre os cariocas: “Sossega leão”, imortalizada por Carmen Miranda.

Por aqui, muito se vê, muito se fala, muito se brinca, mas muito se agride, também. Antes da existência da Rodoviária, o ponto de muitos dele(a)s era ao lado do ponto da Viação Cometa, na Campos Salles. Quem vinha de fora pela primeira vez, e com espírito prevenido, era a primeira recepção que tinha na cidade: “Nossa! E não é que é verdade?!”.

Um amigo, que lia a notícia do Correio, observou este trecho: “Melissa alegou ter sido agredido com uma barra de ferro e estilete. O grupo fez ameaça e um de seus integrantes estava armado com um revólver de calibre 38”. Ironizou: “A notícia está errada. Isso é briga de macho…”

Outro, irreverente com Campinas como quase todo mundo que conheço em Batatais, encafifou, mesmo, com o título ‘Homossexuais disputam espaço em Campinas’. E perguntou: “Ué! Já não cabem mais lá!?”

Pregado no poste: “Só Dirani? E o resto?”

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