Com licença

E por falar em passado, achei no ‘iutube’ preciosas imagens da Suzi Quatro, de quem Janis Joplin não passa de uma aprendiz de arremedo com rotos remendos. Prefere perenidade? Sylvie Vartan – única. E por falar em passado, a Juliana Facchin, que não é intérprete, deu uma aula de como se interpreta o passado, na edição do domingo que passou. Abriu as portas do Arquivo Municipal da Cidade para a cidade ver como esta terra já foi – desde quando se chamava Campinas de Mato Grosso até se tornar umas campinas de Mato Grosso (do Sul)… (Perdão, Nice Bulhões, gentil criatura pantaneira.)

Ali ela descobriu que era preciso licença para se exercer prosaicas profissões, principalmente da Campinas que mais trabalhava, a dos campineiros da “Vila da Fé”, a Vila Industrial, abençoada por São José, o santo trabalhador dos trabalhadores. Lá estão os jacaleiros e suas jacas para levar no lombo das mulas; foguistas, das engenhocas movidas a vapor; magarefes, dos açougues; forneiros, das padarias; guarda-livros, hoje contadores; canteiros, como os da laboriosa família Zaratini; lente (professor-catedrático).

Mais: o marchante, que comprava gado vivo e vendia abatido. A partir daí, trabalhavam tripeiros e bucheiros, vendendo peças e retalhos de carne em carroças de folha de flandres. Também havia os taifeiros, nos trens, e tarefeiros, nas construções; funileiros, que arrumavam panelas amassadas ou furadas; amoladores de facas e tesouras, com seus apitos; verdureiros e fruteiros, como seo Armando e sua carroça; a meninada da faquinha, a tirar o mato que crescia ente os paralelepípedos…

Imagine, que se exigia licença para mendigar. Hoje não se exige nada para alguém politicar, nem atestado de segundas intenções. Se não, não haveria políticos. Taí uma boa idéia, caso contrário, logo precisaremos de licença para viver.

Pregado no poste: “Em 40 anos, Campinas teve dois prefeitos campineiros”

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