As quatros patetas

Para acabar o ano, nada como histórias mal contadas. Nenhuma delas aconteceu em Campinas, juro.

Foi inesquecível, tão inesquecível como essa de cambista do jogo-de-bicho ter direito a registro em carteira de trabalho, mesmo com a Justiça considerando o jogo uma contravenção. Um filhinho de papai conseguiu ser absolvido do crime. Na sentença, aceitaram a tese da defesa de que o coitadinho cometera estupro em legítima defesa. Só se a ré fosse a Mulher Maravilha.

Na outra história, a ingenuidade é da polícia. (Parece com a do homem, em Serra Negra, que certa vez morreu com quatro tiros no peito e sugeriram suicídio.) Deu-se há muito tempo, no tempo em que ainda os bichos falavam. As quatro moçoilas apareceram na delegacia, começo da madrugada, dizendo ao doutor delegado que três delas haviam sido estupradas ao mesmo tempo (!) e por um homem só (!!), que por obra das forças do além havia perdoado a quarta.

Vamos por partes. O bandido (sei, não) já estava no ponto do ônibus quando elas chegaram, às oito da noite. Ele puxou o revólver e, de braços dados com uma delas, andaram por dois quilômetros até chegar a uma obra inacabada, onde ele estuprou uma por uma, uma de cada vez, claro. O que fez a polícia concluir que ele não nasceu em Itu. Se fossem as quatro de uma vez… A quarta, ele desprezou, por pena: quando abriu a bolsa dela viu uma fotografia de criança e quase chorou.

Melhor do que essa desculpa, só a da freirinha solitária, atacada por um tarado a caminho do convento, numa noite de chuva. E ela contou para as colegas de hábito, na frente da madre superiora, como escapou do maníaco: “Ele mandou eu erguer as vestes e eu pedi que ele arriasse as calças. Ele entrou na minha. Saí correndo. Vocês acham que com as calças caídas ele conseguiria correr atrás de mim?”

Talvez tenha sido essa a desculpa das moçoilas para não escapar do estuprador: “Ele mandou que tirássemos a roupa. Peladas, ficamos com vergonha de sair pela rua gritando por socorro…”

Tem sua lógica.

Pregado no poste: “Dona Izalene, que tal escolher secretário por licitação?”

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