Ainda…

Pensei que esta notícia, num jornal paulistano de segunda-feira, não fosse mais notícia. Veja só: “Dez meninos, com idade entre 13 e 16 anos, embriagados; 196 pontas de cigarros de maconha; 15 pastilhas de ecstasy e 15 papelotes de cocaína recolhidos pelo chão; uma arma de calibre 38 apreendida. Foi esse o resultado da blitz realizada na madrugada de ontem pelo Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) em danceterias da Vila Olímpia. Os adolescentes flagrados sob efeito de bebidas alcoólicas foram levados para o departamento, de onde só saíram com os pais. ‘Muitos ignoravam que seus filhos bebiam e ficaram surpresos com a detenção’, disse o diretor do Denarc, Ivaney Cayres de Souza. Ao mesmo tempo, se mostraram agradecidos por terem sido alertados.”

Cinismo, hipocrisia e falta de vergonha na cara desses pais. Continua tudo na mesma. O primeiro delegado do Denarc é um homem extraordinário, que honra o serviço público. Seu nome: Alberto Corazza. Advogado, farmacêutico, psicólogo e… maestro. Conhece as leis, a mente humana e as drogas. Cada jovem detido ele fazia responder a um questionário. E descobriu que 79% deles experimentaram droga pela primeira vez dentro de casa. “Se os pais fossem mais pais e menos ausentes, 79% do pior drama do mundo estaria resolvido”, ele disse, quando me mostrou o resultado da pesquisa.

Quantas batidas a polícia der, mais drogas, armas, álcool, bêbedos e drogados ela encontrará. A degeneração é tamanha, que essa tragédia não é mais notícia. A sensação é a de que a polícia sabe que descobre o óbvio e não precisa mais manter a vigilância. É como aconteceu certa vez, tem mais de trinta anos. A polícia deu uma incerta na extinta e famosa boate La Licorne, em São Paulo, e o delegado anunciou a descoberta “de um antro de prostituição bem no Centro da Capital”. Ouvindo essa notícia ao meu lado, irônico como ele só, o professor José Alexandre dos Santos Ribeiro comentou: “Qualquer dia vão noticiar aí nessa rádio que estão dando hóstia na igreja… Esse delegado queria encontrar o quê no ‘Lalico’? Um retiro espiritual?”.

O delegado Corazza montou um plano pedagógico de orientação educacional sobre drogas e, ao mesmo tempo, formas sutis de descobrir o número de viciados por sala de aula. Êxito absoluto. Afinal, como me disse um traficante há uns vinte anos, “não há escola ou faculdade de São Paulo fora do nosso esquema de marketing.”. O projeto do doutor Corazza foi adotado em escolas… dos Estados Unidos.

Pregado no poste: “Diga 33 (vereadores) e pague seu IPTU para não atrasar o salário deles”

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