A última ceia

Perguntaram ao condenado à cadeira elétrica o que ele queria comer na última refeição e o gaiato respondeu: “Um chá de fita isolante”. Para brincar numa hora dessas, deve ter sido um brasileiro. Imagine políticos na fila do corredor da morte, a preencher ficha com a última vontade satisfeita na hora última. “Que o céu não tenha caseiro”, diria o Palocci. “Se houver elevador, que ao menos funcione”, suplicou Seo Doutor. “Não vá Deus dizer que sou o cara mais popular do Céu, porque aqui na Terra já me disseram que é gozação do Obama. Ah, quero saber quem é o ‘Bobo da Corte’ da G-20, porque em Londres ninguém quis me contar”. “Inda bem que não escolheram o Charles”, desabafou a rainha.

Como sempre, certo estava Jesus Cristo. Não o tivessem traído, teria vivido mais de cem anos, se considerarmos os hábitos alimentares simples que aquele homem simples escolheu para sua última ceia. O clínico geral norte-americano Dan Brown esmiuçou o quadro da Santa Ceia pintado por Leonardo da Vinci e descobriu o que Cristo e seus apóstolos almoçaram naquele dia. (Almoçaram ou jantaram, caro padre Caran?).

Nada paraguaio, tanto que não há registro de que ele tenha transformado água em vinho. Estava em excelente forma, para justificar as iguarias ali servidas: cevada (não em forma de cerveja!), trigo, iogurte, verduras, alho, cebola, feijões, lentilha, peixes frescos, azeites, frutas, nozes, mel, ovos, aves sem gordura e vinho.

A pesquisadora Verônica Becerril, recorrendo aos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas arrisca que serviram a Cristo cordeiro assado, ervas amargas, pão ázimo e vinho. Esta semana, a ‘Revista Gastronômica’, no sítio ‘Religión Digital’, tenta acabar com as dúvidas, neste relato de John Varriano: “Moréias adornadas com laranjas é que aparecem na obra de Da Vinci e não o cordeiro. O prato de Jesus está vazio, mas à sua esquerda há um cheio de peixes inteiros e os pratos do lado direito aparecem esfumaçados, exceto um, em que o estudo de Varriano demonstra que se trata de uma moréia assada decorada com delicadas rodelas de laranja. E havia mais frutas, como se pode ver pelos restos de grãos espalhados por toda a mesa.

Não existia café para valorizar e arrematar a santa refeição, mas tenho certeza de que se lá estivesse, nosso padre Caran teria passado uma bandeja com chazinho de alecrim…

Pregado no poste: “Hei, Judas, o que você fez com as 33 moedas?”

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *