Não é

(Aviso: aquela menina que aparece toda hora na televisão fazendo reclame eleitoral do PCdoB não é a Bruna Surfistinha.)

As pessoas, como qualquer um de nós, tem mania de confundir. Nos anos 70, havia um movimento da igreja católica chamado Treinamento de Liderança Cristã, que respondia pelas siglas “ToLoCo” ou TLC. No fim de um encontro em Itaicí, na Vila Kostka, aí em Indaiatuba, decidiram conversar com a imprensa sobre os objetivos da nova iniciativa. Eis que uma repórter paulistana perguntou: “Por que em vez de uma imagem de Jesus Cristo, vocês usam a do Che Guevara nos adesivos dos automóveis? O Guevara não é proibido?” Outro colega fechou o álbum: “Não é Che nem Cristo, é o Tiradentes, não é?” Ainda houve quem saísse de lá certo de que se tratava do ator Omar Shariff, bissexto companheiro de pôquer da nossa distinta ex-primeira-dama Dulce Figueiredo.

Acabo de saber que outro item prosaico do nosso dia a dia também “não é”. Na sofisticada churrascaria “Coxilha dos Pampas”, uma das mais variadas do Brasil, em Ribeirão Preto, o maître Jamil informa que desde meados do ano passado, estão em alta na preferência da distinta freguesia o carré de carneiro, a picanha e a costela. Em baixa, talvez por serem mais baratos, aparecem o frango, a lingüiça e a leitoa a pururuca, presentes quase diariamente na mesa de todas as classes. Para surpresa geral, entre os três itens mais disputados, Jamil revela que a campeã da churrascaria não é nenhuma carne, mas o ‘nordestiníssimo’ e nostálgico espeto de abacaxi com canela, também chamado de “picanha do agreste”. Só a “Coxilha” assa 1.500 frutos por semana.

Num desfile de Sete de Setembro, aí na Avenida Francisco Glicério, deu-se o fenômeno bíblico da Transfiguração. Pelo menos para o saudoso repórter Renato Silva, o “Bico Fino”. Normalmente, era ele quem apresentava o desfile e seus protagonistas ao público. Antes de Campinas virar sede de generalato, um coronel, ora da Escola de Cadetes, ora do Quinto G Can 90 AAé ou do 1º BCCL comandava a festa, no palanque, ao lado do Bico Fino e “demais autoridades civis, militares e eclesiásticas”. Eis que aponta lá no alto da avenida, virando a esquina da Moraes Salles, um carro alegórico. Renato Silva se empolga. Ficou assim:

— Vejam! Outro carro ‘calegórico’ aparece lá em cima. Na carroceria, ele traz um homem ‘imitando’ Jesus Cristo!

O coronel Vilas Boas quase morre:

— Não é Jesus Cristo, meu Deus! É dom Pedro I!!!

— É tudo a mesma coisa!

Pregado no poste: “Não volte pra casa sem malhar um político, digo, um Judas. Mas é tudo a ‘mema’ coisa!”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *