A Sepultura

“Última flor do Lácio inculta e bela / És a um tempo esplendor e sepultura…” No tempo do Olavo Bilac, ainda havia esplendor em nossa língua; sobrou a sepultura. Nem o Aurélio escapa. Veja a definição que ele dá para a palavra “himênio”: “camada constituída de hifas ascógenas ou basidiógenas ordenadas em paliçada, entre as quais há sempre muitas paráfises. O himênio reveste determinadas áreas ou porções dos aparelhos esporígenos dos fungos, bem como dos liquens.”. O Houaiss esclarece ainda que é “o conjunto formado por grupos de ascos envolvidos por hifas.”. Entendeu?

E “centil”? No Aurélio é “qualquer das separatrizes de uma distribuição de freqüências que dividem a área da distribuição de domínios de área igual a múltiplos inteiros de um centésimo desta área.”. No Houaiss… Desisti.

Coitada, sei que ela não tem culpa nenhuma — há um linguajar próprio para cada ciência. Certa vez, uma dedicada professora de antropologia honrou-me com a proposta de fazer uma tese com base nestas crônicas.

Ela até me mandou os argumentos para o estudo, dizendo entre outras paragens: sistemas embutidos; contextos normativos; mecanismos de integração sistêmica; tematização reflexiva; sistema de regras deslingüistizadas; transformações reflexivas da sociabilidade; mecanismos de desencaixe das relações sociais; modalidades mercantis; sistemáticas e metonímicas de reencaixe;; permanência da virtualidade na experiência; ambigüidade inerente aos mecanismos de desencaixe herdeiros do problema funcionalista da integração / diferenciação social; indiferenciação em relação às fichas simbólicas; circulação hermenêutica das informações; sistemas peritos sobre os contextos normativos de interação; tal complementaridade parece escusa à luz da oposição teórica da anunciada solidariedade mecânica para a solidariedade orgânica; processo humano e social de semantização; âmbito objetual; superação crítica do idealismo subjacente à noção fenomenológica do mundo da vida; tematização problematizadora da ação comunicativa; racionalização progressiva dos mecanismos de produção simbólica os meios sistêmicos deslingüistizados; apreensão fetichista dos conteúdos tematizados; articular-se em sistemas abstratos capazes de potencializar a reflexividade; viabilizar a  problematização da experiência imediata; ícones metonímicos do mundo distante; pressupostos teóricos e epistemológicos encontram-se no próprio racionalismo pragmático.

Impingido no pilar de portada: “Vão coligir Arecastrum romanzoffianum!” (Tradução / Pregado no poste: “Vão catar coquinho!”

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