A cidade dos campineiros

Antes de continuar nossa viagem de ontem pelas fotos do Trinca, que mostram Campinas quando era uma cidade que orgulhava sua gente, uma curiosidade. Você acredita que até me ligaram pedindo para eu contar logo na abertura desta nossa conversa, afinal, quem foi a Berkel? Tá bom. Eu perguntei se alguém tinha trepado na Berkel. Campinas inteira trepou na Berkel! Era a balança da Drogasil, ali na esquina da Treze com a Glicério…

Voltando à nossa viagem. A Barão de Jaguara em outubro de 1950. Uma faixa atravessa a rua pelo alto, junto às marquises da Casa Etam (quando era ali) e do Éden Bar, e anuncia: “Exposição – Leilão de animais mestiços de 7 a 15 de outubro. Concurso hípico. Hipódromo do Bonfim. Compre em 1950 o cavalo das futuras temporadas. Ao lado da Etam, a casa R. Monteiro. E as luminárias, em vez de pender dos postes, eram fixas nos fios, no meio da rua. Muito sugestivo. Uma fila enorme de carros, acredito que seja na altura da Livraria Brasil, mas não dá para ver se seo Oswaldo Guilherme estava lá. Na frente de todos os carros, uma bicicleta preta – juro que era do Mané Fala Ó. E se não era, fica sendo. Que saudade do nosso Mané! É, tem lágrima, sim, anuviando a tela do computador. Sou campineiro e me orgulho da minha terra e da minha gente, principalmente dos que eram loucos por ela, como o Mané.

A Rua da Conceição! Vista do alto da torre da Catedral. E o Alecrim lá. Aparece até um trechinho da Barão de Jaguara. Olha que delícia: na esquina, uma placa enorme diz “Alfaiataria Casa Di Láscio”. Quase na outra esquina, a da Campos Salles, a porta onde depois seria a Casa das Vitaminas. Na frente, a esquina que durante anos foi marcada pela Renner, “a boa roupa ponto por ponto” (Dá-lhe Antônio Pimentel!).  Descendo a Conceição, o prédio central, em “art decó”, do nosso “Correio Popular’, chique que só vendo. Será que o Florêncio já trabalhava lá? Então corre, amigo, e toca a sirene que já são seis da tarde! Os sinos da Catedral dobram respeitosos, porque é hora da Ave Maria. Lá no fundo, só fazendas rumo ao que ainda não era a Nova Campinas.

Esta fotografia deve ser a mais recente da coleção do Trinca. O viaduto “Miguel Vicente Cury” (grande prefeito!), prontinho, com seus espelhos d’água em meio a um imenso jardim, os postes já mais modernos com luminárias em forma de pétalas, árvores, muitas árvores, o relógio de sol do doutor Costallat, e ao fundo, um ‘Cometão’ Senemby indo para São Paulo. Dá para ver um outdooor da Philco, a Escola Alemã (sua benção, seo Carlos Zink!) e a torre da Estação da Paulista.

E agora, a foto mais antiga: do alto da torre da Catedral, mas mirando a Treze de maio e a Costa Aguiar, quando esta ainda se chamava Rua da Constiuição. O Teatro São Carlos ainda no lugar do Teatro Carlos Gomes. Nenhum trilho de bonde na Treze (a foto é de antes do bonde e antes do roubo…) e nenhum edifício na paisagem. Só um imenso casario. Vou chutar: a impressão é de que a Costa Aguiar e a Treze ainda eram de terra, mas bem aplainadas, creio que prontas para receber os paralelepípedos planejados pelo arquiteto (campineiro, sim sennhor!) Ramos de Azevedo.

Mas o Trinca é daqueles que matam a cobra e mostram a fotografia. Sexta-feira ele foi ao Largo da Estação e descobriu que o anúncio do Roque de Marco está lá até hoje! Trinca, aproveite e dê uma passadinha na Avenida Anchieta, com o rádio do carro no máximo, tocando “Tá chegando a hora…”

Pregado no poste: “Será que esse pesadelo está no fim?”

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