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Esse negócio de campineiro orgulhoso é coisa do passado. Até esse pioneirismo a gente perdeu: o primeiro casamento gay do Brasil será em São Paulo e não em Campinas. Pode? Prova que a cidade não faz mais gays como antigamente, daqueles empreendedores, pintores, promotores, vereadores e vereatrizes,  aventureiros, costureiros, enfermeiros e festeiros, colunistas e comunistas, artistas e radialistas, pianistas e manobristas. O slogan era “em cada cargo dois ou três gays para melhor servir vocês.”. Hoje, sobra espaço no barraco e no cordão.

O convite me foi enviado pelo jornalista Roberto Godoy, que diz se tratar de “um bom tango para Campinas”.

Está lá: os noivos, juntos há cinco anos. celebram sua união protegidos pela lei, cercados de políticos, artistas e amigos, dia 10 de abril. Ele é Felipeh Campos, 34 anos, jornalista, apresentador e repórter da Rede TV! O outro ele é o produtor de moda Rafael Scapucim, 26. O governador do Rio, Sérgio Cabral, confirmou presença — se não ‘pegar’ dengue até lá.

Estão cheios de argumentos, para justificar o que não precisa ser justificado: “Não somos ativistas de nenhum movimento gay e não queremos mudar o comportamento de ninguém. Apenas achamos que devemos comemorar nossa união, nosso amor, como faria qualquer casal apaixonado, com tudo o que temos direito. Está na hora desse (sic) patrulhamento todo acabar. Porque (sic) o Elton John pode e a gente não? A gente pode, sim, e vai ser lindo”. Será no Espaço Ônix, ao som de atabaques, em cerimônia conduzida pelo babalorixá Pai Cido de Oxum.

Os noivos entrarão juntos, vestindo batas brancas de richelieu (homenagem ao cardeal?) e estarão descalços, como manda a tradição afro. No altar, desenvolvido exclusivamente para a cerimônia, flores, pipoca e milho servirão de oferendas aos orixás.

Eles chamam a boleira Fabíola Toschi de “cake designer”, e a banqueteira Érika Meira, de “catering” (não confundir com fabricante de banquetas).

A lua-de-mel, cruzes!, também não será em Campinas: vão para São Francisco – nem de Assis nem de Pádua, mais prudentes, escolheram o da Califórnia.

Pregado no poste: “Não se faz mais Campinas como antigamente”

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