Qual delas?

A idéia é do jornalista campineiro Roberto Godoy.

Pode ser qualquer mulher, mas não uma mulher qualquer. Só não pode ser homem – chega de filhos, vamos tentar as mães, exerça ela profissão que for, da mais antiga a mais moderna. A proposta é eleger uma mulher para a Presidência da República. Você pode escolher sua candidata e mandar a sugestão pra cá. Garantimos o anonimato. Prometo publicar todo domingo o resultado da pesquisa. Depois, se algum partido se interessar, desde que seja íntegro, porque inteiro não há nenhum…

Só algumas condições: tem de ser mulher que jamais cogitou pertencer a esse quadro de políticos brasileiros nem concorrido a cargo público algum. Nunca ter sino nomeada para cargo público por qualquer político ou um político qualquer, que dá no mesmo. E que não esteja filiada a nenhuma agremiação política. Mas pode ser até corintiana, que vale.

Brasileira, por exemplo, como a Márcia de Oliveira Jacintho, carioca que perdeu o filho Henry, de 16 anos para a violência, em 21 de novembro de 2002. A polícia disse que o garoto era traficante e o assassinou com um tiro no peito. Sozinha, com uma máquina fotográfica e um pequeno gravador, ela conseguiu provas, depoimentos de testemunhas e uma vitória: provou que o filho era inocente. até o laudo do hospital foi ela quem obteve –  voltou a estudar, prestou vestibular e chegou a cursar uma faculdade de Direito, Ela disse à TV Globo: “Foram idas e vindas à delegacia e depois ao Ministério Público, onde fiz questão de acompanhar o processo de perto. Todo dia tinha uma porta para bater, buscando respostas”. Tudo para honrar a educação que deu ao filho. Ela não o ensinou a ser bandido e sabia que ele nunca foi bandido, embora vivendo num país governado por santas criaturas, como Deus tá vendo. O que confessou ter atirado no filho de Márcia foi condenado a apenas nove anos de cadeia e está preso. (Sei, não…) O outro, condenado a três anos, aguarda o julgamento em liberdade, talvez porque, sei lá porque.

Márcia guerreira mostrou para nós quanto vale uma brasileira. A uma mulher como essa eu entregaria com orgulho o governo do meu País. Não fez passeata, não gritou palavras de ordem, não fez greve de fome nem usou retrato do filho para fazer política. Nem se deixou aproveitar por políticos. Mais importante: jamais pediu às demais mães que sofrem a omissão da polícia, do Ministério Público e da Justiça para “relaxar e gozar”.

Pregado no poste: “Um beijo, Márcia!”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *