Ontem e amanhã – 1

“Não posso acreditar que fizemos isso!”

Com esse título, circula na grande rede uma mensagem que nos desafia a crer que os dias melhores se foram, mesmo comparando esta era internética, cibernética, supertecnológica e de extremo conforto com o tempo em que…

“… Viajamos em carros sem cintos de segurança ou airbag.

… Não havia tampa à prova de crianças em vidros de remédios, portas, ou armários.

… Andamos de bicicleta sem capacete – e íamos carona!

… Bebemos água direto no esguicho e em riachos, nunca em copos descartáveis.

… Carrinhos de rolimã ladeira abaixo e só nos lembrávamos dos freios depois de colidir com algumas árvores.

… Saíamos de casa pela manhã e brincávamos o dia todo; só voltando quando as luzes se acendiam.

… Quebramos ossos e dentes e não havia leis para punir os culpados. Eram acidentes.

… Brigamos e esmurramos uns aos outros e aprendemos a superar isto. A amizade continuava a mesma.

… Camisinha era o único e só anticoncepcional. Virou salva-vidas.

… Comemos doces e bebemos refrigerantes, mas não éramos obesos.

… Compartilhamos garrafas de refrigerante e ninguém morreu por causa disso.

… Tivemos amigos, saíamos e os encontrávamos. Íamos de bicicleta ou caminhávamos até a casa deles e batíamos à porta. Imagine! Sem pedir permissão aos pais.

… Apanhamos frutas do chão e comemos, nunca passamos mal ou tivemos dor-de-barriga para sempre nem contaminação fatal.

… Nos jogos da escola, nem todos faziam parte do time. Os que não jogaram tiveram de aprender a lidar com a frustração.

… Alguns estudantes repetiam o ano… Não inventavam testes extras nem aprovação automática.

Não tivemos Playstations, Nintendo 64, fax, vídeogames, 99 canais a cabo, filmes em vídeo, surround sound, celular, computadores ou Internet.

Olhando para trás, é duro acreditar que ainda estejamos vivos.

A geração que viveu esse tempo “pré-moderno” produziu alguns dos melhores enfrentadores de risco, negociadores de soluções, criadores e inventores. Os últimos 50 anos foram uma explosão descomunal de inovações. Foi o esplendor da criatividade humana, a verdadeira Renascença da Humanidade! Tivemos liberdade, ditadura, fracasso, sucesso, responsabilidade — aprendemos a lidar com tudo… A viver, enfim! Você é um deles.”

Pois bem. Amanhã, veremos o que tão espetacular essa geração dos últimos 50 anos ofereceu, que justifique chamar o período de “Verdadeira Renascença da Humanidade”. Guerra, fome, peste, morte e corrupção não valem – isso é obra de maus governantes, não de gente que trabalha.

Pregado no poste: “O senhor é candidato a prefeito dom Gilberto?!?!”

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