O samba do sem terra doido

O genialíssimo Stanislaw Ponte Preta não teria cenário melhor para reeditar seu eterno ‘Samba do crioulo doido’. Só no Brasil: no palco e na platéia, de um lado, conservadores produtores rurais, fazendeirões, usineiros – aquilo que a esquerda chamaria de “fina flor da direita”. De outro, sem terra, sem emprego, sem vergonha, sem instrução, sem respeito, alguns inteligentes, outros espertos. No meio, políticos.

Abrem-se as cortinas e começa o teatro do absurdo. Tão absurdo, que os da esquerda nem se deram conta de que defendiam uma das primeiras obras da ditadura militar, que tanto ajudaram, ao combatê-la. É o Código Florestal, de 1965, do marechal Castello Branco. Com a mesma fúria com que defendem o Estatuto da Terra, do mesmo marechal e do eterno “vendilhão da pátria”, como o chamavam, o Roberto Campos – para eles,  ‘Bob Fields’, o desafeto mor dos comunistas de linha escocesa.

Não estranhem, não, jovenzinhos que fugiram das aulas e opinam com base na manipulada formação PPP – Panfleto, Palestra e Palanque. Muita gente ali nem era nascida quando o velho partido comunista apoiou para o governo de São Paulo nada menos que o maior patrão do País, Antônio Ermírio de Moraes. O que dizer do cavaleiro de suas esperanças perdidas, que teve arrancada de sua cama a companheira de lutas forjada nos sovietes? Pior, presa e torturada a mando de um ditador fascista e deportada grávida para o ‘paraíso’ nazista. Se não estudaram, preferindo a vidinha vagabunda de fantoches, saibam que esse cavaleiro ainda saiu das masmorras para apoiar o ditador que o desonrou dos pampas aos seringais numa coluna prestes a se esfarelar. Até hoje, há nessa esquerda quem chame aquele ditador de estadista.

Pois naquele cenário transformado em circo dos horrores da ignorância programada, ouviu-se que os canaviais brasileiros são responsáveis pelo terremoto no Haiti. Outra, que se apresentou como douta representante do Ministério Público em defesa dos sem terra doidos (alguns nem são), jurou que as enchentes em São Paulo e Rio são provocadas pelas plantações de arroz, feijão, batata, algodão, cana, laranja, banana, milho, soja – os produtos que dão ao Brasil a liderança mundial do agronegócio e abarrotam a cesta básica mais barata do mundo. (Ela nunca ouviu falar em saco plástico?)

Depois da vaia escaldante derramada pela esquerda (!!!), o deputado do Partido Comunista (!!!) do Brasil confessou: “Neste País, ambientalismo é trincheira que esconde interesses de multinacionais e de países ricos; não sou pago pelos ricos cujas agriculturas são menos produtivas do que a nossa e bancam essa revolta contra a nossa produção de alimentos; lamento que o Ministério Público tenha se tornado braço executivo desses movimentos (ditos) sociais…”

Pregado no poste: “Para bons ignorantes, nenhuma palavra basta”

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