‘Miolos fritos’

Antigamente, a única preocupação ao sair de casa era dar uma olhada pro céu e ver se o tempo estava “adivinhando chuva”. (Gozada essa expressão…). Alguns, mais precavidos, já levavam capa de chantungue (é assim que se escreve?), guarda-chuva pendurado no braço, gorrinho impermeável e galocha. Naquele tempo, já havia o “chato de galocha”. Depois, meu amigo Narciso Vernize (figuraça!) inventou o “Homem do tempo”, na rádio Jovem Pan. Algumas vezes, quem acreditou nele acabou se molhando. Ou carregando aquela tralha toda à toa.

Depois, nova preocupação: a qualidade do ar. A poluição já faz paulistanos mais sensíveis andar de máscaras protetoras e os meios de comunicação incluem os níveis de envenenamento em seus boletins noticiosos. A vida vem se sofisticando. Além da previsão do tempo e da quantidade de sujeira no céu, emissoras de rádio informam sem parar sobre os congestionamentos de trânsito, apontando o melhor caminho. O morador das cidades grandes tem de sair cada vez mais cedo — e dormir cada vez menos – para chegar ao trabalho.

Há uns seis, sete anos, outro amigo, e grande cientista, Vítor Baranauskas, aí da Unicamp, alerta o povo e as autoridades sobre os riscos do uso de telefones celulares analógicos e das antenas dessas engenhocas dos infernos. Neste País superdesenvolvido, de autoridades competentes, honestas e íntegras, que jamais se submetem aos interesses de poderosos, ninguém dá bola para o Vítor Baranauskas. Só povos atrasados lhe dão ouvidos: ingleses, alemães, suíços, franceses, italianos… Bando de burros.

Esta semana, o Wall Street Journal revelou que há nova preocupação para o cidadão ao sair de casa. Leia: “Sebastiano Nicolosi, morador em Catânia, na Itália, conecta-se a um site de Internet no computador de sua casa e acompanha um gráfico colorido que preenche a tela. ‘O nível de radiação hoje é razoável,’, conclui Nicolosi. ‘Sem perigo.’”. Como outros moradores, Nicolosi confere rotineiramente o total de radiação emitida pelas antenas de celular, para saber se seus miolos não serão fritos ao sair à rua.’.

Pregado no poste: “Alguém é ateu num avião em chamas?”

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