Jornal do além

Todos que trabalham na aeronáutica, seja no chão ou no ar, têm suas histórias estranhas. Ainda agora circula na rede mundial a pregação de um pastor da Assembléia de Deus, feita em fevereiro, prevendo o fim próximo. Ele estava nesse avião da TAM que se acidentou por obra e graça de nossas “otoridades”. Em Viracopos, um soldado da guarnição dos bombeiros se levantava no meio da noite e, sonâmbulo, dava ordem aos colegas, como se socorresse vítimas espalhadas na pista. Acordava sem se lembrar de nada, nem se havia sonhado.

Na Avenida Vinte e Três de Maio, na última curva a caminho de Congonhas, eram comuns engavetamentos. Motoristas que freavam de repente contavam sempre a mesma história: “Uma mulher negra, grande e gorda, de lenço branco na cabeça, equilibrando uma trouxa de roupas, atravessou a pista e eu brequei!”. O repórter Inajar de Souza, do ‘Jornal da Tarde’, inventou de dar plantão na curva todo fim de tarde. Quando ele ia, não acontecia nada. Ela não ia… Pumba! Engavetamento. O querido mestre Inajar morreu e nunca mais ninguém viu gorda alguma por ali.

Agora, folheando o extraordinário “Todas as cores e sonhos de um caminho”, livro de memórias da aeromoça e pianista Laura Iakowski, que viveu infância e parte da juventude em Campinas, ela conta:

“Não sabia como terminar meu noivado. Numa tarde, sonhei que o carteiro tocou a campainha de minha casa com um envelope azul na mão. Acordei com a campaninha tocando, e minha mãe entrando no meu quarto com um envelope azul na mão. Era dele, J.A., desmanchando o compromisso!

Numa manhã de outubro, bem cedinho, assim que entrei no avião para o primeiro vôo ao Rio, encontrei jogado numa poltrona um jornal de Campinas, daquele mesmo dia. Abri-o instintivamente e dei logo de chofre com a notícia da morte de dona Mariana (Sebastiana Amaral Galvão), mãe de J.A. (José Carlos Amaral Galvão). Eu a conhecera ainda em Campinas, no início do meu namoro com o seu filho. Morrera cedo e fiquei triste. Eu havia gostado muito dela e senti que ela também gostou muito de mim, como se tivéssemos sido velhas amigas em outras vidas. Fiquei perplexa, sem entender como aquele jornal havia chegado até o avião, naquela hora tão cedo da manhã, sem ter dado tempo de alguém trazê-lo Campinas. Será que fora trazido pelo espírito de Dona Mariana, como um aviso demonstrando ser solidária a mim?”

Pregado no poste: “Como justo o governo Lulla pode abandonar um aeroporto chamado Viracopos?!

 

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