Jogos fechados

Vou aproveitar que o senhor prefeito tirou férias para contar uma história; assim, ele não fica com vergonha. O jornalista Walter Bellenzani ainda está estarrecido com a ausência de Campinas dos Jogos Abertos do Interior. A cidade faltou às disputas em Araçatuba. E lembrar que foi numa edição dos “Jogos”, em Tupã, que a fama “orgulhosa” desta terra ganhou sua mais completa tradução. É a velha história de outro grande jornalista, o Antônio Carlos de Júlio, que “acabou” com o “papo” de colegas que contavam vantagens sobre suas cidadezinhas, dizendo: “Não sei de que vocês estão falando, eu moro a seis horas de Paris…”

Tempos em que o Concorde, supersônico, ligava Viracopos a Orly em seis horas. Essa “é de pasmar”, né de Júlio? Lembra? Um dia eu conto como o de Júlio deixou todos pasmos. Posso? Há também a história de um bolo numa festa de casamento em que ele seria padrinho… Você me paga, Toninho!

Os Jogos Abertos do Interior são tão importantes para Campinas (pelo menos eram, até o advento do seo Pagano), que o Renato Otranto, outra grande cabeça do jornalismo esportivo de Campinas, muito distraído, escreveu sobre a cerimônia de inauguração da Olimpíada de Atlanta: “Começam hoje, em Atlanta, os Jogos Abertos do Exterior”. Ele queria dizer: “Estão abertos os Jogos Olímpicos”, mas misturou tudo. É verdade!

O Vartão conta que em 1967, a Prefeitura também não tinha dinheiro para mandar as equipes para os “Jogos” em São José dos Campos. Ele colocou um anúncio aqui no Correio: “Precisam-se de três mil campineiros”. Quem contribuísse ganhava um “diploma” de colaborador, com o desenho de um tijolo. Mais: Vartão, Jamil Gadia e um grupo de esportistas desceram a Treze de Maio carregando uma bandeira da cidade, pedindo ajuda aos comerciantes. Arrecadaram até para sustentar a participação nos Jogos Regionais, em Limeira, um pouco antes dos Abertos.

A seleção campineira foi maravilhosa. Veja só alguns nomes: Raul Hein, Paladino, Célio Leite e Tutu, nos saltos; Bira, Tuca Soares, Teixeira e Lalloni, no basquete; Odete Valentim Domingos, no arremesso do disco; Adib Trad, no tênis de mesa, e Elizabeth Cândido, nossa gazela, como velocista. O técnico do atletismo, outra figura lendária: Argemiro Roque. Esse era tão bom, que jogava até no meu time de futebol de botão, ao lado de Benê, Rodrigo, Diogo, Eraldo, São Dimas, Macalé…

Eram todos amadores, nenhum mercenário. A cidade gostava deles e eles retribuíam. Por isso, jamais serão esquecidos. No fim dos “Jogos”, cada um tinha o direito, por tradição, de ficar com o uniforme — afinal, um presente da população. Foi aí, que uma triste figura, inoculada no “pudê”, inventou de pedir os uniformes de volta, alegando que pertenciam ao patrimônio da cidade. Constrangido, em nome da Comissão Central de Esportes, Vartão saía por Campinas nas manhãs de domingo, percorrendo quadras de esporte, atrás dos atletas, pedindo que devolvessem o que era deles por tradição. Até os pés de meia. Mesquinharias da política.

No final daquele ano, o então prefeito Ruy Hellmeister Novaes, também indignado com aquele gesto, chamou Vartão e a diretoria da CCE ao gabinete do velho “Palácio dos Azulejos”, para anunciar que, finalmente, depois de muita luta, havia conseguido a verba que estava destinada aos Jogos Abertos e decidiu recompensar todos os dirigentes que participaram da organização e comandado a delegação formada por aquela bela equipe de Campinas.

Pregado no poste: “Lembra de como era bom, quando Campinas tinha prefeito?”

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