Isso é marketing?

Há pessoas que vêm ao mundo para serem vistas. Bem-aventuradas as que vêm para vê-lo – são os que distinguem os verbos ver e vir. Aqueles são os famosos LMP ou “Loucos Por Mídia”, que usam ingênuos da mídia em benefício próprio (e, reconheço tristemente, de quem veicula). Depois, aproveitam-se da notoriedade comprada para pisar os outros. No primeiro dia de aula do curso de comunicação já se julgam superiores a Gilles Lapouge ou Roberto Godoy, nossos melhores justamente porque sabem que o primeiro passo para a competência é a humildade.

Num condomínio aí em Campinas, vejam a ridícula conduta protagonizada por um profissional de marketing. O relato é de quem viu tudo, sem sabe se ria ou chorava:

“Estava eu indo jogar o lixo na lixeira do condomínio, quando uma jovem, acompanhada de mais umas três ou quatro pessoas, me chamou para ajudá-los a interfonar para uma outra moradora. Quando me aproximei, reconheci pela vestimenta deles que se tratava de vendedores de cartão de um supermercado que se instalará em Campinas. Perguntei aonde eles queriam ir, ao que o único do grupo sem o tal do uniforme, e que me pareceu ser o líder dos uniformizados, me disse com uma voz assim já meio mal-humorada, que queria falar com fulana de tal (minha vizinha) Ao mesmo tempo resmungou sobre sua falta de
sorte, pois um passarinho fizera cocô em sua camisa.

Para descontrair, disse que era sinal de sorte, que ele teria um dia muito feliz. Mas o pobre ficou mais mal-humorado; que já tinha sido muito difícil encontrar o endereço e que agora o passarinho ainda tinha feito aquilo nele.

Aí, caí na besteira de sugerir que ele não se estressasse tanto, que em seu trabalho ele precisa ficar mais calmo e ter mais paciência. Completei a brincadeira falando outra bobagem: perguntei se ele é vendedor. A coisa então ficou feia. O moço engrossou a voz e disse com a arrogância de alguém que parecia mostrar a seus liderados como se trata um futuro comprador:

— Não! Eu sou de marketing!

O moço pensa que isso é marketing? Peguei meu
dicionário de português, Aurélio, 3ª edição revista e atualizada. Li as 42 linhas que definem a palavra marketing. Numa delas,
lê-se: “correspondente em port., p. us., mercadologia”. Fui
então em mercadologia e em uma linha e menos da metade de
outra encontrei: “[de mercado (4 e 5) + -logia.] S. f. Marketing”.

Começa mal o supermercado.

Pregado no poste: “Onde o boi falou, galinha não chora”

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