‘Governador saiu de Campinas’

Ele tinha tudo para continuar o trabalhador respeitado, como quando chegou a Campinas, para começar a vida, mas…

Nosso Rogério Verzignasse escreveu em setembro de 1996: “Era ferroviário, tinha as mãos calejadas de carregar e descarregar vagões nos galpõpes da Rede Ferroviária, no Rio de Janeiro. Em 1954, veio para Campinas com esposa e filhos pequenos, para ganhar a vida como corretor de imóveis, mas não tinha nem para o aluguel. Naquela manhã, o nordestino baixinho bateu às portas do Correio Popular, na Rua da Conceição, e contou sua história ao gerente comercial:

‘Meu senhor, acabo de chegar, quero vender terrenos nos Campos Elíseos, mas não tenho diheiro nem para alimentar meus filhos. Não posso pagar um anúncio e tenho de trabalhar’. O gerente, comovido, lhe garantiu um anúncio gratuito. Nos quinze anos que se seguiram, fez fortuna, negociando terrenos. A mulher e os filhos trabalhavam o dia todo, vendendo inseticidas agrícolas. Deixaram Campinas definitivamente em 1969, com capital para iniciar a vida em Goiás.

O nordestino baixinho comprou terra e gado em Colinas. Elegeu-se vereador e prefeito. Hoje, o ex-ferroviário é governador do Tocantins. A vida de José Wilson Siqueira Campos se confunde com a história do Estado. Como deputado federal eleito por Goiás, foi ele quem apresentou na Constituinte o projeto de criação do novo Estado. Fez até greve de fome em Brasília, quando notou que constituintes resistiam. Agora, é poderoso e centralizador. Mas chora quando se lembra: ‘Foi em Campinas que o Tocantins nasceu; lá, comecei a sonhar em criá-lo.’

Seu escritório de corretagem ficava numa saleta da Treze de Maio. Ele se lembra de Jesus Duarte (pai da Regina Duarte), do radialista e astrólogo Omar Cardoso e do ex-prefeito Ruy Novaes, ‘exemplo de administrador’. Nãos se esquece das casas onde morou, na Rua Castro Alves. ‘Nunca vou me esquecer de Campinas, porque ela livrou meus filhos da fome!’”.

Sábado, aos 82 anos, tomou posse pela quarta vez. É o mais idoso dos governadores. Não recebeu a faixa do antecessor e inimigo Carlos Gaguim que, irritado, a deixou com um repórter e foi embora. Há quatro anos, seu filho mais velho o acusou de comandar organização criminosa no Estado. Eduardo, o caçula, ex-prefeito de Palmas e ex-senador, é campineiro e ponte-pretano.

Pregado no poste: “Mas não era o Chávez?”

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