Dá de bico, que vale taça!

             Não, não vou falar de futebol. Mais gostoso do que futebol são as torcidas, principalmente as da Ponte e do Corinthians. É bonito vê-las sofrer ou vibrar. São as únicas do mundo que têm alma, capazes dos gestos e atitudes mais apaixonadas por um ideal. Apesar da fama, são as mais educadas. Pergunte a qualquer segurança do metrô ou empresário de ônibus de São Paulo, que torcedor é mais vândalo. Uma pesquisa da extinta CMTC mostrou que é a do aristocrático São Paulo.

E a torcida das cidades pequenas do Interior? Esta semana, depois de o Palmeiras tirar o Corinthians da Libertadores, sintonizando um programa de música caipira, bem cedinho, numa FM, acho que de Catanduva, me esborrachei. Parecia o tempo em que o povo de Betel saudava assim seu time: “Cáscara de ferida; Pícoro dereforfe; O que tem drento da azeitona? Caroço! O que tem drento do caroço? Betér, Betér, Betér!”. O Cecílio Elias Neto jura que é plágio da torcida do XV de Piracicaba, que também gritava: “Xis-Vê! Xis-Vê!”. Lá, goleiro é “gortipa”; centro-médio, “centerarfi”; zagueiro é “beque”; chuteira, chanca, e a torcida fica na “artibancada”.

Mas o caipira daquela “rádia” começou cedo a gozação. Leu uma “notícia” que acabava de chegar: “Marcelinho Carioca foi preso porque bateu na mulher. Para consolar o jogador, ela leu na Bíblia: ‘Evangelho segundo São Marcos…’”. E foi em frente: “Corinthiano é como abóbora. Cresce, cresce, aí vem o porco e come.”. Mais: “A diferença entre o Marcelinho e o terrorista é que o terrorista tem simpatizantes.” Outra: “O Dida não é mineiro; nasceu em Santa Rita do Passa Cinco, pertinho de Santa Rita do Passa Quatro”. E esta: “O Corinthians vai comprar o Nem – nem Paulista, nem Libertadores, nem Copa do Brasil”.

A brincadeira acabou quando um repórter entrou no ar com a notícia de verdade: “O corinthiano Zeca da Clotilde apostou com o palmeirense Fredão da Maricota que punha a bandeira do Palmeiras no muro da casa dele se o Corinthians perdesse. Sabe o que ele fez? Derrubou o muro da própria casa. Diz que foi pra não passar vergonha.”.

Pregado no poste: “Atraso — professor ganha menos do que político”.

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