Carta do moinho

Esta crônica homenageia a brava gente de Holambra, que trabalha e enriquece a terra que a abriga. Eny Sacchi, jornalista ítalo-brasileira, há mais de vinte anos a trabalhar e enriquecer a Holanda, leu a reportagem do nosso “Correio” sobre o maior moinho da América Latina que entrou em nossa paisagem e, a meu pedido, fala um pouco e bonito dessa obra milenar.

“Espalhados por todo o país, eles fazem parte da tradição nacional. Não há quem chegue à Holanda e não queira vê-los. De longe, são o ar bucólico e nostálgico da paisagem plana. De perto, imponentes. Sim, são eles, os moinhos, que chegaram aos Países Baixos no século 13 e daqui nunca mais saíram, passando de fonte de energia mecânica para geradores de eletricidade. Afinal, o que não falta na Holanda é vento, além de chuva e bicicletas.

A origem é incerta. A ‘Instituição dos Moinhos Holandeses’, em Amsterdam, acredita que foram criados no Afeganistão. E há indícios de que os primeiros movidos a água
foram montados no segundo século antes de Cristo, na Grécia. Mas os holandeses os aperfeiçoaram, tirando todas as vantagens da então nova fonte de energia mecânica. Primeiro, para moer grãos e mais tarde, já no início do século 15, na conquista de novas terras ao mar. Explico: com o crescimento econômico, ampliar suas terras onde antes só havia água passou a
ser inevitável e, mais uma vez, os holandeses viram nos moinhos seus grandes aliados.

Entraram em ação os chamados “moinhos polder”. Eram colocados em diques construídos ao redor da área demarcada (polder), bombeavam a água para o canal, também construído pelo homem, fazendo com que ela seguisse seu
fluxo rumo ao rio mais próximo e, depois, para o mar.

Dois séculos mais tarde, a construção de moinhos tomou um grande impulso, atingindo seu auge no século 19. Graças a todas as atividades que por eles podiam ser desenvolvidas, a região de Amsterdam se tornou um dos primeiros centros industriais da Holanda. Os moinhos foram a galinha dos ovos de ouro dos Países Baixos até a chegada da máquina a vapor, do diesel e da
eletricidade.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, as mudanças econômicas e técnicas atropelaram os trabalhos realizados pelos moleiros, e os moinhos caíram no esquecimento. Atualmente, eles recuperaram seus momentos de glória e foram tombados pelo patrimônio histórico. A Holanda conserva 1.050 moinhos de vento e 130 moinhos d’água. Em 1972, foi decretado o ‘Dia Nacional do Moinho’, todo segundo sábado de maio. Enquanto isso, seus “irmãos” mais modernos e bem mais delgados geram energia renovável.

Ainda me lembro das palavras de uma amiga, quando me mudei para a Holanda, há mais de vinte anos: “Você vai morar num moinho!!!” A profecia não se concretizou, mas o sobrenome de minha sogra era Molenaar (Moleiro)!”

Pregado no poste: “Político vai aprovar uso de algemas?”

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