A dúvida

Vestibular de 1971, tarde domingo na então Universidade Católica de Campinas, a bucólica “escolinha da igreja do monsenhor Salim”, já comandada pelo magnífico reitor Barreto Fonseca. Mestre Mário Erbolato, chefe da sucursal campineira do Estadão, e professor ali, vai de sala em sala avisar que no dia seguinte, o gabarito seria publicado no “Jornal da Tarde”. Coube a este locutor que vos escreve transmitir as alternativas corretas para São Paulo, de prova por prova, por telefone. É. Por telefone. Não havia DDD nem se falava na hora com a capital. Telex poderia bagunçar.

 

Do outro lado da linha, um jovem da produção começa a notar o que eu vou ditando: “Pergunta 1, alternativa ‘a’, de Arnaldo; 2, ‘c’, de cebola; 3, ‘b’, de bola; 4, ‘d’, de dado…” E vai: Português, Química, Biologia, Física, Matemática, História, Conhecimentos Gerais, Geografia, sei lá. Quase três horas de ditado. Lá pelas três da manhã, me acorda alguém da redação: “Escuta, que maluquice dessa universidade dar esses nomes para as respostas corretas das provas!? É cebola, Ernesto, bola… O que é isso?” Felizmente, consegui provar que focinho de porco também é tomada e salvaram-se todos.

 

No Edifício ‘Redondo’, na frente do prédio central da mesma Puccamp, um grupo de estudantes preencheu um folheto de mala direta com proposta para assinar a revista “Veja”. Brincaram. No lugar do nome do pretendente escreveram: “Só Lemos de Graça”. E durante um ano, de graça mesmo, o Sr. Só Lemos de Graça recebeu a revista.

 

Não tem dois meses, uma jornalista pediu para me entrevistar. Quando foi escrever no bloco de anotações o meu nome, vi que ela escrevera com “i”. Eu disse: “É Moacyr com ‘y’, fulana”. Juro por Deus, ela escreve com ‘w’. Pedi que ela lesse o que havia escrito. “Moacyr”, disse, do alto de seu despreparo. Com pena e calma, tudo se resolveu. Dói. Já pensou se lêem “Moacur”, no jornal?

 

Carlito Milanês chega às obras da sua Pousada Marambaia, no Arraial d’Ajuda, Bahia, e ouve a discussão entre dois pedreiros. É que um queria colocar na filha o nome de Xoxota. Ambos teimavam, não diante do absurdo da escolha, mas se era com ‘X’ ou ‘Ch’. Quando o futuro pai propôs, então, homenagear Ava Gardner e Gina Lollobrígida, Milanês entrou na história e salvou a menina, que se chama Maria.

 

Um amigo pediu à Telefônica nova linha para sua empresa e soletrou o nome da dita cuja, chamada “Engine”, para a atendente da espanhola. A correspondência, enviada pela Telefônica, veio assim: “Escola Navio Gato Igreja Navio Escola”!

 

Pregado no poste: “Cassilda!”

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