A companheira Michelle

Cadela no governo dos outros é refresco.

Quando aquele ministro collorido Rogério Magri, “horrível de tão imexível”, levou a cadela dele ao veterinário em carro oficial, a oposição, principalmente o PT, desabou em cima dele. E ele ainda debochou, dizendo que cachorro também é ser humano. Mas quarta-feira, a companheira Michelle, cadela do Lula, deu o troco e vingou a do Magri. O Estadão disse que ela até dorme com o presidente — não tenho nada a ver com a vida particular dos outros.

Mas a companheira Michelle, fox terrier de nove anos, apareceu em plena reunião ministerial na Residência Oficial do Torto (Atenção futuros participantes do Show do Milhão: “Residência Oficial do Torto” nunca foi a casa do Mané Garrincha em Brasília, certo?). A companheira foi levada à reunião dos ministros com o dono dela por um funcionário pago pelo povo numa Kombi onde se lê “PR (Presidência da República) uso exclusivo em serviço”. Combustível (gasolina, diesel ou álcool?) pago pelo povo.

(Cá entre nós, essa Presidência da República é uma pobreza. Duvido que a cadela da Vera Loyola viaje de Kombi – o José Graziano, ministro da fome, que o diga.)

Acho que não há nada demais o povo pagar pelo carinho do companheiro Lula com sua companheira. O Brasil já teve embaixador em Washington que levou até o tratador do cachorro para viver lá, às nossas custas.

Caro companheiro Lula, quer saber? Você se lembra de quando descobriu que no Congresso havia 300 picaretas? Pois é. O imperador Calígula nomeou Incitatus, seu cavalo, para o Senado romano. Segundo nosso dramaturgo Millor Fernandes, “conta-se que Calígula andava então pelas ágoras de Roma, acariciando seu cavalo e achando-lhe mais honrado que a maioria dos senadores…”. E o que você acha?

Há outro exemplo no reino animal, companheiro. Mais um cavalo, desta vez o de Ricardo III, da Inglaterra. Segundo William Shakespeare, dramaturgo inglês (sou mais o Millor), para fugir da sanha de seus implacáveis algozes, na Batalha de Bosworth, em 1485, aquele rei da Inglaterra implorava quase agonizante pelos campos: “Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!”

É, companheiro presidente. Do jeito que este país vai, você acabará bradando pelos cerrados do Planalto Central: “Minha cachorra! Minha cachorrinha! Meu reino pela minha cachorrinha!”. E verá que, se fizer a troca, sairá ganhando…

Pregado no poste: “Michelle, passa! Fazer xixi, aqui, não!”

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