Zeca Pagodinho? Renato Camarinha!

Churrasco? Mais importante que a carne, era o número do telefone da Antarctica, ali no Mercadão, entre as Casas Pernambucanas, o Garcia, o “rei das molas”, e a Casa Carvalho de Máquinas. Do outro lado da linha, vinha seo Renato Camarinha, cordial, festeiro, amigo até dos inimigos e não negava chope a ninguém. Também nunca traiu ninguém, nestes tempos de guerra de cervejas. Podia faltar água; chope, não. Campinas era assim. Gelo? Ao lado do seo Renato, no frigorífico da dona Rosa Tavares — pedras enormes, congeladas em latas de bacon da Wilson. Uma vez, seo Renato homenageou o Éder Jofre e abriu uma lanchonete “chique que só vendo” perto do Palácio da Justiça, ali na Campos Salles. Nome: “Galo de Ouro”. Minha mãe ficou uma “arara” com o “galo”, mas eu parei de almoçar todo dia em casa. Coxinha mais gostosa que a da Marta Rocha. Explico: “Marta Rocha” era o nome da coxinha do Giovanetti, ô malicioso!

Com o tempo, a cidade sumiu, só ficaram escombros. Quer ver? Os bondes; o Samdu (Serviço de Atendimento Médico Domiciliar Urgente); a Guarda Civil; os bucheiros; os cobradores da Tração e da CTB, que cobravam a conta de luz e do telefone na casa da gente (Imagine que logo após um interurbano, com ajuda da telefonista pelo 01, era só ligar em seguida e outra telefonista informava quanto havia custado a ligação! Mas isso era no século passado, hoje a tecnologia não permite. Suspeita.)

E o despertador da Rádio Cultura? E os donos de armazéns do Mercadão, que recebiam correspondência para quem morava na roça? A Litorina, o Trem de Luxo, o Flecha de Prata; o Expresso Brasileiro; o leite da granja da Vila Brandina; o pão trazido na porta pelo Joãozinho – ele vinha de Lambretta. As verduras e frutas do seo Armando – ele vinha de carroça! O sino “Bahia”, chamando par a missa na Catedral (juro que hoje não vou chorar o Alecrim assassinado); o Teatro Municipal; a estação da Praça Mauá; a porteira do trem no alto da Barão de Itapura; o armazém do Sesi, depois dessa porteira; a igreja do Rosário; as lavadeiras que traziam a roupa passadinha e cheirosa, como a dona Paschoalina, querida dona Paschoalina, mãe do Palante, cracaço do Guarani, amigo dos papas, rei da Alitália. Que saudade, amigo!

Ainda existe o amolador de faca? E o soldador de panela? E os sapateiros, como o calabrês Miguel Gentil? Acertar o relógio? 3438, na Estação da Paulista. Rádio Patrulha? 8899. Bombeiro? 3333. Samdu: 2222. ‘Telefone pedindo bis’, na PRC-9? 4759, 5766 ou 7621.

Pregado no poste: “Que pena! Acordei. O pesadelo vai recomeçar…”

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