Zé Mundão

Foi o “Xande dos anos 20”, mas não reencarnou em Toninho Gato. Encontrado pela Nadja Prado, filha do nosso Alo e irmã da Janetinha, no livro “Retratos da Velha Campinas”, do Geraldo Sesso Jr.. Zé, de nome Luciano, filho de Fulgêncio e Maria Conga, escravos libertos da família Souza Aranha, aprontou 1001 desde 1901, quando tinha 15 anos. Nada de especial, apenas um grande baderneiro que reinou por lugares descampados, hoje bastante conhecidos nas Campinas. É para acabar amanhã.

O que você encontrou Nadja?

“O casal trocou o casebre na Fazenda Serra D’ Água, bandas de Valinhos, pela Chácara Raimundinho, num pardieiro, agora a Escola Castorina Cavalheiro. Até que a febre amarela levou Fulgêncio e Maria Conga. Só no mundo e em Campinas, dilacerado pela saudade dos pais, entregou-se à bebida e às amizades da pior espécie. Aos 24 anos, já era especialista em vida marginal. Aprendeu a tocar pandeiro, violão, marimba e o ganzá, e a brandir armas — faca e porrete. Exímio capoeirista.

Do rapazola que obedecia cegamente aos pais, virou lenda temida por todos, até pela polícia. Com a morte do Raimundinho, o lugar ficou antro. A família Aranha expulsou todo mundo mais Zé Mundão, que foi parar num barracão no ‘Mato Seco’ (hoje, Ponte Preta). Conheceu os valentões ‘Diogo Perna de Pau’ (tinha de ser na Ponte Preta…), ‘Otávio Zulão’, ‘Savalla’, ‘Chicão’…  Orgulhoso de seus feitos já se via o melhor brigador do mundo (tinha de ser campineiro…).

Como de uns tempos pra cá, Campinas era a ‘Meca das desordens’, ‘Cidade das tragédias’, ‘Paraíso dos ladrões’ — quando as pessoas já murmuravam: ‘Negro não é gente!’. Claro, muitos sentiam-se revoltados, como o valentão ‘Zé Mundão’. que aceitava qualquer parada.

Havia competições entre campineiros e paulistanos, bambas nas congadas, batuques, duelos de violão, e capoeiragens (nessas, ‘Zé Mundão’ era ídolo). Os paulistanos perdiam quase todas. Foi então que armaram uma confusão e o delegado Paulo Machado Florence aproveitou para colocar as mãos no valentão.

O sujeito aparecia e sumia como fantasma, até que o pegaram com seu bando na ‘Taverna Fatal’, boteco sito à Rua da Ponte (atual Major Sólon). Tentaram fugir, mas foram detidos, amarrados e colocados numa carroça (não havia carro para preso) rumo à delegacia, na Dr. Quirino com Benjamin Constant.

Aí, ‘Zé Mundão’, processado por lesões corporais, e seu companheiro “Baianinho”, por roubo de animais, passaram boa temporada na cadeia, apanhando dia sim, dia também.

Amanhã, tchan… tchan… tchan… tchan!

Pregado no poste: “A ladainha dos idosos será suspenso no verão, com o agradecimento da paróquia”

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