Você já foi?

“Deu no rádio e na televisão, / Mas de perto / Ninguém viu, não…”

Essa provocação, cantada pelo Wilson Simonal, martelou durante anos os ouvintes da Jovem Pan, a rádio de São Paulo. Era um desafio para que alguém, entre os milhões de paulistanos, aparecesse para dizer que já tinha sido consultado por algum órgão de pesquisa de opinião pública.

E os repórteres da Pan vasculhavam a cidade:

— Seu nome?

— Fulano de tal.

— Você já foi ouvido por algum órgão de pesquisa de opinião?

— Não. Nunca.

— Há quanto tempo você mora neste bairro?

— Há uns vinte anos.

— Obrigado.

E era isso dia e noite. (Cá entre nós, eu nunca fui entrevistado por nenhum instituto de pesquisa; também nunca fui consultado pela Jovem Pan…)

A meta da rádio da ilustríssima família Machado de Carvalho era descobrir porque a cidade inteira era flagrada ouvindo a Pan e, na divulgação das pesquisas, ela aprecia lá pelos quinto, sexto lugares. Nada explicava os resultados. Qualquer grande acontecimento naquela cidade maluca, e até as concorrentes ouviam a Jovem Pan — o melhor radiojornalismo da história de São Paulo.

A competência da equipe do saudoso Fernando Vieira de Mello, querido “Maquininha”, foi reconhecida até pelo Jornal Nacional, num dia de enchente daquelas. Nunca me esqueço do Celso Freitas reconhecendo, com aquele vozeirão: “A agilidade da Rádio Jovem Pan garantiu o salvamento de muitas vidas…”

Foi assim sempre: incêndios do Andraus, Joelma e Grande Avenida; cortejos da Elis, Vicente Leporace, Faria Lima, Manoel da Nóbrega, Airton Senna, Tancredo Neves… A cidade parava para seguir na orientação dos repórteres da Jovem Pan. Eles nunca erravam. “Ande sossegado, com a Jovem Pan ao seu lado”; “Prestação de serviço é isso…” E ela sempre está ao lado de São Paulo, porque… “São Paulo que amanhece trabalhando…”, “A cidade não desperta, apenas aperta a sua posição” e “Na reza do paulista, trabalho é o Padre Nosso”, anuncia o prefixo do seu Jornal da Manhã.

Agora, compare a história das pesquisas eleitorais. Quase sempre a gente não conhece ninguém que revele votar no candidato que aparece em primeiro lugar. Não é só o Lulla, não! A propósito: você já foi pesquisado?

Pregado no poste: “Só vote em quem garante renunciar antes da posse”

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