Viva, Chicão!

A meninada de hoje não sabe “aprontar” na escola. Perderam a criatividade e não conseguem inventar nenhuma daquelas estripulias de ficar na história. A televisão matou esse espírito de moleque. Recebem tudo pronto pela telinha e só o que sabem cometer no colégio é vandalismo. Como se destruir marcasse a inteligência ou a esperteza de alguém.

Vou contar outra molecagem que ficou na história do Culto à Ciência. Nem eu sabia. Ela me foi contada esta semana justamente pela vítima do episódio, que narrou tudo com um sorriso de saudade do seu tempo de mestre em nosso templo maior de ensino. A vítima é o queridíssimo professor de Desenho Francisco Biojone, admirado em todo o mundo, graças ao seu talento de artista plástico incomparável. Mas lá no Culto à Ciência, para nós, que jamais o esqueceremos, ele sempre foi o “Chicão”, o “Chicosaedro”, um misto de “Chico” e “Icosaedro”, figura de vinte lados — apelido posto pelo ex-aluno Sílvio Brocchi, o “Neto”.

Foi assim: Chicão chegou em cima da hora para a primeira aula do período noturno. Dia de prova. Os alunos o cercaram ainda no portão principal, enrolando-o com uma conversa fiada, para atrasá-lo mais. Ele não conseguia chegar à sala. Cismado, percebeu que até os alunos de outras classes continuavam à espera dos outros professores, que também não chegavam. A muito custo, nosso herói alcançou o “corredor da morte”, que dava para a Diretoria e para a Sala dos Professores.

Ali, encontrou alguns colegas espantados e um inspetor de alunos mais assustado ainda, acenando aflito para ele: “Entre aí, rápido, professor!”, exclamou o inspetor, apontando para a Diretoria. Quando ele entrou, o doutor Telêmaco, nosso eterno diretor, gritou: “Mas como?! O que você está fazendo aqui?!”. Sem saber de nada, Chicão respondeu o óbvio: “Vim dar aulas…”.

Diante da platéia de mestres estupefatos, Telêmaco, lívido, explicou: “Mas estamos aqui justamente decidindo pela suspensão das aulas em sua homenagem, porque alguém ligou para cá, dizendo que você tinha acabado de morrer!”.

E assim, a prova foi adiada. Dez, com louvor…

Pregado no poste: “Hoje, o Guarani não perde”

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