Vergonha

Já houve um pastor, obreiro, bispo, sei lá que diabo era a patente do militante da Igreja Universal do Reino de Deus, que apareceu na TV Record dando coices numa imagem de Nossa Senhora. Escândalo que viajou o mundo, emporcalhando o Brasil. Está até hoje na rede mundial. Outro dia, foi feriado aqui em Ribeirão Preto, festa para celebrar o padroeiro São Sebastião. A TV Record local noticiou o feriado, mas não informou o motivo. Isso, no bom jornalismo, se chama “bater a carteira” do telespectador: o editor esconde o fato do público para atender a interesses escusos.

Há os que, na santa ingenuidade, nem percebem que debocham, pelo excesso de criatividade. Foi o que se deu num restaurante na Araçatuba d’antanho. Atropelou todos os sinais convencionais, até o óbvio “eles” e “elas”, e pregou no alto das portas do banheiro delas a imagem de Nossa Senhora, e deles, Jesus Cristo. Iluminadas!

Bons tempos de brincadeiras inocentes, para alegrar procissões: “Comadre Maria, que bicho que deu… Ave, Ave, Avestruz…”; “Abre, abre, abre a cerveja…”; “Dominus vobiscum; Olha pra trás que eu te beliscum…”; “Naquele tempo, dizia o mago da Galiléia: não bobéia, se não der co’as novas, vai co’as véias…”; “Corpo de Dio… Corpo de Dio… Dio que corpo!”

Pensei que essa coitada de Pernambuco tivesse conquistado o auge com a tentativa de colocar brasileiros contra neonazistas suíços. Pensei. Mas miséria pouca é bobagem e já que é para avacalhar, que seja em caráter oficial, em coluna social e no palácio governamental, poluído de políticos. Deu na página da Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, em pleno Carnaval baiano:

“Máscaras, apitos e gravatinhas enfeitam as mesas dispostas sobre o gramado do jardim do Palácio de Ondina, onde mora o governador. A primeira-dama da Bahia, Fátima Mendonça, recebe os convidados. ‘A casa às vezes tem uns probleminhas hidráulicos e elétricos, mas o jardim é maravilhoso, não é não?’.

Ela leva Nancy Carybé, viúva do pintor argentino-baiano, para um tour pela sala de sua casa, para mostrar obras de arte. Param diante de uma imagem de cerca de um metro de Jesus crucificado. ‘O Jacques é judeu, mas eu fico aqui na maior ‘safadeza’ com meu Jesus. Beijo o pezinho d’Ele. E digo que qualquer dia vou tirar essa toalhinha que cobre parte do corpo de Cristo’, brinca ela.”

Prefiro a Madonna.

Pregado no poste: “A Bahia, tão religiosa, a CNBB, tão zelosa, ficarão caladas?”

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