Vândalos!

Campineiros com quase ou mais de 50 fizeram este trajeto, partindo dos Correios e Telégrafos, passando na frente ou perto da Meia Elegante Magazine, A Seleta, Auto Escola Alvorada, guarita do viaduto e seu guarda-civil, Cine São Jorge e Bar da Lingüiça, 8º BC, Bar do Bonturi, Jóquei Clube, Ótica Mário, cadeia, Penido Burnier, Vera Cruz, Lojas Americanas e Pensão Globo. Ou saído da sombra do Alecrim, Casa Ezequiel, Hotel Términus, Sanducha, Calçados Clark, Renner, armazém do Sebastião Marinho, Padaria Toscana, Vila Manoel Dias…

Melhor parar, descer, entrar na Catedral e pedir perdão a Deus por desejar o esquartejamento dos culpados pelo abandono em que ficaram os bondes de Campinas. O Edson Laurindo, da abençoada Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, me mandou fotos de um, confinado a um barracão em Jaguariúna, que parece ônibus cubano. Dá vontade chorar. É o 119, que levou muita gente da Vila Industrial de casa para o trabalho nas linhas 1 e 2 dos 14 versos do soneto que os bondes compunham dia e noite pela cidade.

Relato da tragédia, na melancolia do Edson:

“Ele estava na garagem da prefeitura de Jaguariúna, que o recebeu quando os bondes pararam  em Campinas. Os motores de tração estão ocos, sem o enrolamento de cobre, tirados quando ainda estava na garagem da Orosimbo Maia. Tem o marcador de passagens; chave seletora de tração; campainhas; nos bancos, ainda se lê ‘espere o carro parar’; os dois ‘controllers’ e os freios manuais. O prefeito Cleto Chiavegatto quer que a gente reforme este bonde para rodar entre Jaguariúna e Carlos Gomes. A parte de madeira não é difícil de ser refeita, inclusive com a reinstalação da lira no teto. Mas como não temos como construir rede aérea e não podemos contar com os motores de tração, pensamos em colocar mecânica de empilhadeira, com motor a gás, como num bonde que era de Santos e roda no Brás, em São Paulo. Se conseguirmos dois motores de tração de locomotiva, veremos como transmitir energia (talvez com gerador). Quem vai reformar é a prefeitura de Jaguariúna, que aliás tem feito muito mais pela ABPF do que a de Campinas (sempre foi assim).

No Clube do Banco do Brasil (AABB-Campinas) também há um bonde pelado, em melhor estado. Em Atibaia, há outro, pouco melhor, mas estava em Bragança Paulista. O dono até vende, mas imagine o preço.

O do restaurante Saci, na Anhangüera, esteve no  Frango Assado, foi retirado, recebeu motores de tração do bonde de Santos e agora roda em São Luís (MA).

Há outro bonde de Campinas, em Pedregulho, também sem os motores de tração.”

Edson, os trilhos também estão em Pedregulho?

Pregado no poste: “Obrigado sr. prefeito de Jaguariúna, por preservar o patrimônio de Campinas”

 

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