Uma ‘arquiteta do universo’

Só Campinas pode viver certos momentos sublimes da história. Um deles aconteceu na véspera da celebração dos 125 anos do colégio “Culto à Ciência”, na avenida Campos Salles, 514. Ali, fica a Loja Maçônica “Independência”, a mesma que deu origem à escola incomparável e que, em sessão Magna, comemorava seus 131 anos de fundação. Em seis anos de vida, portanto, aquela instituição voltada ao bem comum já lançava nas terras desta terra uma de suas sementes mais produtivas.

Além de lembrar a façanha de criar e doar à sociedade paulista sua escola pública mais antiga em atividade, aquela sessão Magna homenageou uma das mais dedicadas cidadãs brasileiras de todos os tempos, a médica e cientista Silvia Brandalise, uma mulher que é um orgulho para esta humanidade tão carente de pessoas que vivem para servir. Para os membros daquela loja e demais convidados à cerimônia presidida pelo senhor Arthur Almeida Monteiro Filho, nossa doutora Silvia fez uma conferência traduzida numa conversa simples como simples, desinteressado e puro é o amor que alguém devota às crianças. E é para as crianças que ela vive, no abençoado “Centro Infantil Ademar Boldrini”.

E ela contou que essa dedicação nasceu não de um desejo da jovem pediatra de curar crianças, mas do pavor de um dia encontrar uma criança com câncer. A doutora Sílvia confessou que capitulou quando atendeu um menininho de cinco anos, irremediavelmente doente. Por ele e com ele, iniciou a jornada de pesquisa que a trouxe aos nossos dias, já alcançando 60% de sucesso nos tratamentos. “Partimos do zero”, disse. E eu pensei: “Partiu do zero e chegará ao infinito. Tomara!”. Com a ajuda voluntária de campineiros, este centro que homenageia outro grande benfeitor é hoje referência mundial no tratamento do câncer infantil. “O que me faz capitular é o choro de uma criança” (Seria bom que todos tivéssemos essa mesma sensibilidade…).

A doutora Sílvia define a luta contra o câncer infantil como “uma batalha em que não há empate, quando muito, uma prorrogação”. Sua meta é trabalhar, trabalhar, trabalhar e estudar, a fim de resgatar a saúde dos 40% que faltam, para que todos tenham vida. E a próxima etapa é tratar do tumor cerebral, a segunda causa mais freqüente de morte entre crianças que ali chegam implorando para continuar vivas. “O caminho pode estar no princípio ativo de plantas da flora brasileira”, confidenciou, esperançosa nas pessoas que possam ajudá-la.

O Centro Boldrini tem 70 leitos e 80% são ocupados por meninos e meninas cujos pais não têm recursos para socorrê-los. Já imaginou o drama dessas famílias? E o governo, por meio do SUS, ainda zomba dessa tragédia humana, pagando uma diária de R$ 3,00 por criança doente. (Quanto ganha um ‘pobre deputado’, mesmo?). Esse dinheiro tem de pagar a alimentação, estadia e tratamento dos doentes: R$ 3,00 por dia. (Quanto ganha um ‘pobre senador’, mesmo)? O que se dá todos os dias no Centro Boldrini é o milagre da multiplicação dos pães. É cada membro daquele equipe da doutora Sílvia transformado em Cristo para salvar crianças. (Quanto certos empresários, ‘coitados’, sonegam de imposto por ano, mesmo?)

No fim da sessão, ela recebeu uma doação, não revelada, para suas pesquisas e agradeceu com a grandeza e a sabedoria de sempre: “O afeto da dignidade transcende qualquer valor!”. Como é bom saber que ainda há gente assim!

Pregado no poste: “Vamos ajudar a doutora Sílvia?”

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