Um quarto para um milhão

Já imaginou a promiscuidade?

Normalmente, o povo já é politicamente mal representado. Numericamente, também. Em todos os sentidos. Quer ver? Conte comigo: a cidade tem pouco mais de um milhão de habitantes, completemanete perdidos, sem rumo, sem perspectiva, sem tansportes, sem segurança, mal de saúde, mal de moradia, sem educação, sem lazer, sem esportes, cultura chinfrim à disposição e a cidade está suja, poluída. Às vezes, ela fede.

Muito bem. Para participar da administração da vida desses pouco mais de um milhão de campineiros, 672.317 eleitores escolheram 33 vereadores (um exagero – parece que quanto mais, menos fazem; mais ganham, menos realizam). Sabem quantos votos tiveram esses 33 veradores reunidos? Pasme, sente-se, chore, bruxuleie, tremeluze: apenas e tão somente 179.858. Isso! Eles representam só 26,75% do eleitorado e menos de 18% da população. Qual seja: 74,25% dos eleitores e mais de 82% da população não têm representação alguma e também são obrigados a pagar – e caro pra cachorro – por essa aberração (está certo que cachorro não berra, mas fazer o quê?).

A representação política do campineiro parece um monstro de cabeça (e cérebro?) minúscula e corpanzil digno de quem sofre de obesidade mórbida, barriga d’água, gravidez psicológica – coisa horrível. Como um dinossauro nauseoso, esfomeado.

Continuando, abro o Diário Oficial, e está lá o orçamento de Campinas para o ano que vem. Conte comigo: esses 33 vereadores vão custar para o povo, em 2005, R$ 40,9 milhões!!! Ou seja, aquele seu filho que acabou de nascer, tire dele R$ 40,90 e dê para os vereadores. Dividindo-se o orçamento da egrégia pelo número de edis dá um consumo de dinheiro do povo de R$ 1,23 milhão de cada vereador, incluindo aí mordomias, afilhados, transporte, servidores, assessorees… Você não acha justo? É o que cada campineiro vai pagar – queira ou ou não – para sustentar os vereadores. Muito justo. Concorda? Por mês, você é obrigado a entrar na “vaquinha” que paga só R$ 4.500,00 para cada vereador. Mas já estão pleiteando R$ 7.200,00. Muito justo. Afinal, eles representam o povo que votou neles e merecem ganhar o mesmo que ganha o povo que eles representam. Certo? Já pensou se eles entram em greve por melhores salários? Você não ficará indignado?

Por isso, quando um político prega distribuição de renda, pergunte quanto ele ganha do povo por mês. E veja onde está a verdadeira concentração de renda – se nas mãos da tal burguesia ou de determinadas instituições. Afinal, quantos campineiros tem à disposição R$ 1,23 milhão por ano?

Tem mais, tem mais…

Ao distribuir as verbas para o orçamento do ano que vem, nossa esplendorosa alcaidessa foi mais justa do que Salomão. Uma autêntica ‘Salomona”. Veja: ela foi obrigada a dar aquela bolada de R$ 40,9 milhões para os nossos caríssimos vereadores, enquanto deu R$ 9,5 milhões para o Meio Ambiente; R$ 19 milhões para a Segurança; R$ 24,5 milhões para a Habitação; R$ 37,5 milhões para a Cultura e R$ 40,6 milhões para a Assistência Social. O povo precisa muito mais de seus vereadores do que do bom meio ambiente, de segurança, de habitação, de atividades culturais (importantes) e de assistência social.

(Político é assim. Antes do primeiro turno, liguei para um candidato a prefeito de Ribeirão Preto, o Welson Gasparini, e disse: “Você vai ganhar a eleição.”. Ele atendeu na hora, solícito, e respondeu: “Deus te ouça!”. Domingo, quando saiu a boca de urna apontando para a vitória dele, liguei de novo. O celular dele não respondia mais. Deus me ouviu, só não sei se irá ouvi-lo…)

Pregado no poste: “Pague seu IPTU para não atrasar o salário dos vereadores”.

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