Um dia é da caça…

A vingança é um prato que se come frio. Mas só quando é pra fazer folia e ir à desforra, depois de tanta incompetência. O inferno não é oferecido por uma telefônica só, mas por todas, e dia desses, um amigo, o Cheda, coitado, consegiu (Glória, glória! Aleluia! Vencendo vem Jesus!) ser atendido por um serviço que promete ser ‘rápido’, pelo menos em inglês. E a mulher dele, a Maria, me conta a venturosa ventura:

Por incrível que pareça, foi atendido por uma pessoa!  E não era aquela mensagem que diz: “Se você quer batata, disque 1; se quer cebola, disque 2; alface, disque 3. Mas se não sabe o que quer, aguarde um de nossos atendentes que não sabem explicar coisa (aqui não se deve escrever cocô nem assemelhados, viu Maria?) nenhuma, mas vão te enrolar bastante.”

Antes, você terá de ouvir todas aquelas mensagens de propaganda ao menos 26 vezes, antes de ser atendido. Ou então, quando você decide que quer cebola, a mensagem demora tanto, e as opções são tamanhas, que você já se esqueceu qual era o número dela. Aí você gasta mais uma ligação pra saber o número que tem que discar para comprar a cebola. Então, vem a mensagem:
”Se você quer um quilo, digite 1; se quer 2, digite 2” e assim por diante.

Bem, definida a quantidade, você digita o número. Aí vem outra mensagem perguntando seu CIC, RG, registro de imóveis, Pis/Pasep, carteira de trabalho, confirmação de endereço, número do sapato, do sutiã, da calcinha, do manequim, da cueca, da camisinha… Ainda pede uma referência pessoal e pergunta se você retira no local ou se é entrega em domicílio. Neste
caso, você tem de ficar disponível até as 18 horas do dia seguinte, pois a entrega é terceirizada, e como a rota é feita pelo computador, para racioalizar o combustível, eles não podem informar a hora exata que a cebola chegará.

Piora quando você liga, espera duas horas, e o atendente
pergunta com a maior delicadeza como pode auxiliar. Então, você desfia o
rosário, leva uma hora para explicar; aí ele te informa que esse problema é
técnico e não da área de relacionamentos. Passa você para um segundo
atendente, também super-educado, para quem você tem que desfiar novamente o rosário. Nesse momento, a fluoxetina já perdeu o efeito, e eu estou que nem
o gato que tem que tomar o comprimido, agarrado ao lustre, arrancando os últimos fios de cabelo. A ligação cai, ligo novamente e peço para falar com o Zé, mas ele está cinco andares acima e tenho de explicar tudo de novo.

Voltando ao inferno do “rápido”, eles dizem que o problema é com o anti-vírus. Falam que devo desinstalar o computador. Só que depois de cinco horas, o computador estava na mesma. “Tem de dar um boot.”. Dou. Quando volto, recomendam que eu comece tudo de novo. Não há diazepínico nem maracujá que acalme. É stress? Não, é saco cheio de tanta tecnologia! Bem, já desabafei, agora vou pra reunião de condomínio!

Mais!

Para completar, tenho uma boa que foi a minha vingança. Liguei para o 0800 da operadora de celular. Como a questão era muito complexa (?!), a
atendente se atrapalhou toda e precisou pedir ajuda ao sistema lento e à
supervisora. Sei lá… Bom, depois do vigésimo ‘mais um minutinho’, recebi
uma ligação em meu ramal e como estava à toa, esperando, atendi. Era uma
ligação importante e começamos a falar e tratar do nosso assunto. Aí vem a
atendente e:

— Sr. Cheda?

E eu:
— Só um minutinho.
E ela:
— Sr. Cheda, eu não posso aguardar…
E eu:
— Só mais um minutinho.
E ela (ao fundo, provavelmente para a supervisora: ‘Ele falou pra eu esperar.’)

— Sr. Cheda, eu preciso que o senhor me atenda ou vou desligar.
E eu:
— Só mais um momentinho.

Bom, para encurtar, após mais minutinhos e momentinhos meus, ela desligou o telefone na minha cara e, quer saber? não fiquei nem triste nem bravo. Senti-me ótimo, vingado.

Pregado no poste: “Alô! Aqui não tem telefone!”

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