Um depois do outro

Não me lembro de ter visto, jamais, adesivos sobre Campinas. Desses que aparecem no vidro traseiro dos carros, com o nome da faculdade, do curso, da religião, da cerveja preferida, do filho, de um lugar inesquecível, do clube de futebol, da profissão, até de candidatos – para passar vergonha depois.

De Campinas, mesmo, só vi um, na Argentina e no Paraguai, e no quartel do Batalhão de Fronteira de Foz do Iguaçu, apreendido pelo Exército – no tempo da ditadura militar. O coronel me mostrou o dito cujo, como exemplo da “campanha difamatória contra o Brasil no Exterior”. Também, um país que vivia sob ditadura só podia ser difamado, mesmo. O coronel não percebia que ele mesmo era um dos culpados pela difamação… Mas aquele adesivo nas mãos do militar não era contra o Brasil, apenas brincava com a fama de Campinas. Exibia o desenho de uma mulher nua deitada sob um coqueiro, e um homem, em pé, também nu, que escondia suas “vergonhas” e dizia para ela: “No puedo, soy de Campinas, Brasil!”.

Há uns dez anos, nas ruas de Londres, ecologistas espalharam adesivos contra o Brasil, por causa da devastação da Amazônia. Um deles dizia: “Salve uma árvore, mate um brasileiro”.

Também havia muitos adesivos concorrendo com a criatividade das frases em pára-choques de caminhão: “Brasil, ame-o ou deixe-o; o último apague a luz do aeroporto”; “Não faço faculdade”; “Madureza de Mobral”; “Jardim da Infância Rei Herodes”; “Não ria, sua filha está aqui dentro”; “Para um político, seu voto vale tanto quanto o de um traficante”…

Em Campinas, do jeito que vai, vão pintar adesivos assim: “Visite Campinas antes que acabe”; “Visitar Campinas? Para quê?”; “Campinas? Não adianta mais”; “Campinas, terra de Ravel, Debussy e Stalin”…

A sugestão mais tenebrosa foi dada nesta semana pelo jornalista americano Tom Brokaw, como brincadeira: “Primeiro o Iraque, depois a França”. Mas o auditório riu. Aquela santa que mora aqui em casa, mais francófila do que Joana D’Arc, estrilou: “Tinha de ser: ‘Primeiro o pai, depois o filho!’”

Pregado no poste: “Campinas virou capital da cultura… de almanaque”

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