Ufa! Não deu tempo…

Ainda bem que acontece a tempo de a imprensa denunciar tudo, sem a ameaça de morte preparada para ela por radicais, os mesmos hoje acusados e provados como ladrões do esforço e do trabalho em prol da dignidade da Nação.

Delírio?

Guarde os jornais dos últimos dois meses; que sirvam de índex para sempre, com os nomes de todos os que nos roubam, nos enganam, nos pedem votos. São muitos, quadrilhas enormes, para que guardemos na memória. É preciso ter a lista, como folha corrida de todos. Folha corrida, porque na vida pregressa de muitos deles, só há mortes, assaltos, violência, seqüestros, terror, justiçamentos… e nenhuma obra edificante.

Poucos evoluíram. Grande parte prefere viver às custas do povo, enquistados no Poder ou disfarçados sob o “poder” de Deus, arredios ao trabalho, embora falem em nome dos trabalhadores ou de fiéis. Pobre trabalhador, que vê o dinheiro do seu suor enfiado em cuecas e malas de fugitivos.

Felizmente, eles não tiveram tempo — como planejavam sorrateiramente — de amordaçar os órgãos de comunicação, de exercer controle oficial sobre jornais, revistas, estações de rádio e de televisão. Até da Internet. Felizmente, não vingou o plano maligno do neoplásico conselho nacional de jornalistas, imaginado na medida exata para impedir que as denúncias de hoje chegassem ao povo. Não deu tempo.

Era o sonho deles, inspirados em seus ‘deuses” inconfessáveis: Pinochet, Fidel, Chávez, Hitler, Franco, Salazar, Videla, Ortegas e colegas. Todos iguais, porque nada mais igual ao antigo regime do que o novo regime no poder. Era o pesadelo nosso. Mas ervas daninhas não morrem. Há que vigiar e apontar sempre.

Nunca tive coragem de cobrar dele a atitude, mas ninguém me tira da cabeça que o nosso Ricardinho Kotscho fugiu a tempo. Tão desconfiado, embora amigo do homem, jamais se filiou nem vendeu sua convicção de libertário e operário da notícia.

Outra tentativa de imobilizar a população está em marcha. Como todas as urdidas lá em cima. O desarmamento que propõem não visa a reduzir a violência. É uma fachada. Querem a população desarmada, com medo de uma revolta contra os ladrões com mandato. Ainda ouço a voz de Pinochet, ecoando por Santiago, enquanto ardia o Palácio de la Moneda: “Todo aquele que for encontrado com armas, munições e explosivos será sumariamente executado.”. Eles têm a quem puxar. Felizmente não deu tempo.

Jamais se esqueçam de guardar os nomes que hoje estão na imprensa, desatrelada (ainda) do governo. Por pior que seja um órgão de imprensa, ele sempre será melhor do que qualquer governo ou, no caso, de um governo qualquer. A história ensina essa grande verdade:

“Se dependesse de decisão minha termos um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a segunda alternativa.” Thomas Jefferson       

“Se houver liberdade de imprensa, meu império não dura um mês…” Napoleão Bonaparte

          “Contai os jornais de um povo e tereis seu lugar na escala da civilização”. Laboulaye

         “Um bom jornal, penso eu, é uma nação falando consigo mesma” Arthur Miller

         “Pelas notícias de ontem, o jornal de hoje faz temer as de amanhã”. Carlos Drummond de Andrade

         “Quando terminamos de ler os jornais, parece-nos que as notícias melhores ficaram para o dia seguinte.” Júlio Camargo

“Se deixarmos, acaba como na Rússia. Lá, toda a imprensa é comunista.” Millor Fernandes

         “O bom jornal é o espelho do mundo, visto por olhos nos quais você confia.” Joseval Peixoto

         “Com jornalista não se conversa, espanca-se.” Major Argus.

“Jornalismo é a história a queima-roupa.” Carlos Tontoli

“Não há profissão mais bela, mais interessante que a de jornalista; nenhuma exige mais talento, tato e vivacidade.” Leon Daudet

         “O jornalismo é o melhor ofício do mundo.” Gabriel García Márquez

         “Nas nossas democracias, a ânsia da maioria dos mortais é alcançar em sete linhas o louvor do jornal. Para se conquistar essas sete linhas benditas, os homens praticam todas as ações — mesmo as boas”. Eça de Queiroz

         “A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa, ao perto e ao longe; enxerga o que lhe malfazem; devassa o que lhe ocultam e tramam; colhe o que lhe sonegam ou roubam; percebe onde lhe alvejam ou nodoam; mede o que lhe cerceiam ou destroem; vela pelo que lhe interessa e se acautela do que a ameaça.” Ruy Barbosa

         “Governo de consciência tranqüila não teme a liberdade de imprensa.” Lavra pessoal

“Seremos na imprensa vigilantes fiscaes da administração pública e zeladores intransigentes do direito collectivo.” Correio Popular, há 77 anos, hoje e sempre.

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