Tudo a ver

No domingo que passou, ‘nosso pregado no poste’ parecia adivinhar: “Bombeiro não cobra nada para salvar uma vida, porque para ele, a vida não tem preço, tem valor”. No mesmo dia, no Rio de Janeiro, esta notícia: “Profissional do hospital Miguel Couto escreveu nome da maternidade e os números dos ônibus no braço da mulher, que ali chegou para dar à luz. O bebê morreu.”. O ‘profissional’, não.

No dia 27 de junho, nosso “Correio” denunciava estas aberrações encontradas em livros adotados pela secretaria estadual de Educação pra crianças de dez anos. (Em tempo, não há registro de que os autores sejam pedófilos nem depravados):

“A Cinderela não perde apenas o sapato. Desta vez, ela fica sem o vestido, só de calcinha. A Chapeuzinho Vermelho dá mau exemplo: mata o lobo com um tiro na cabeça e faz um casaco com a pele do animal.”. Essa a Cinderela e essa Chapeuzinho em novos enredos fazem parte do livro “Historinhas em Versos Perversos”. Mais? Os anões da Branca de Neve tocam partes do corpo da jovem em imagens com forte insinuação sexual.”.

Há poemas com incentivo ao consumo de bebida alcoólica por menores e a pichações de muros e banheiros. Na reportagem, a pedagoga Adriana Varani lamenta que, muitas vezes, o Estado não tenha profissionais qualificados para trabalhar de forma correta com o conteúdo dos livros.”. Parece é que o Estado não tem profissionais. Em outros trechos, um personagem xinga o outro de “lazarento” e ainda afirma que irá recuperar o dinheiro “nem que seja no tapa”.

Felizmente, nem tudo apodreceu entre os que se dedicam a educar crianças e jovens. No dia 28, nossa revista “Metrópole”, para orgulho desta terra, escreveu: “Norberto Pascoal comemora os 60 anos da sua empresa com distribuição de um milhão de livros infantis só neste mês.”. Sua Fundação Educar, criada em 1989 para gerir os investimentos em educação da DPaschoal, distribuiu, em oito anos, 31 milhões de exemplares de livros por todo o Brasil, dentro do projeto “Leia Comigo!” Para cumprir o compromisso deste mês, foram selecionados os títulos mais solicitados que estão sendo destinados a escolas públicas. Não é para os exemplares ficarem na escola, mas levados pelos alunos para serem lidos em casa.

Duas diferenças fundamentais explicam esse contraste de caráter e de objetivos: a depravação da educação vem do Estado, enquanto a glorificação vem da iniciativa particular.
Gente como o Norberto pensa no futuro da Nação, autores daquela “literatura de bordel” pensa na próxima eleição.

Pregado no poste: “Chega! Sumam!”

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