Tripa de mico

Pra mim, aquilo sempre foi “borrachinha de dar injeção”. Mas uma biomédica, japonesinha delicada que só, de nome inédito – Danila! –, disse que chama de garrote. Coisa que parece tão sem-serventia serve pra tanta coisa! Na última vez em que vi a tal, estava com uma menina, Lídia, linda, na Vitória, ilha mais distante do Litoral paulista. A única enfermeira que passara por lá, fazia tempo, deixou, e Lídia, sem seguir exemplos, fez um estilingue, para caçar tié-sangue, um passarinho, que os outros trinta moradores da ilha comiam assado. Menos ela, que tinha “uma dó…”.

Falei na Danila, mas acho que tripa de mico só não serve para camisinha – nem no Japão… O Zeza Amaral, por exemplo, ensina: “Trata-se daquele elástico que enfermeiras usam para aplicar injeções. Não sei quem deu nome a esse elástico. Deve ter alguma coisa a ver com as cordas da viola de coxo (precursora das violas caipiras atuais), que usavam tripa de macaco no lugar de cordas de aço, ainda não inventadas lá pelo fim do século 19. Mas carece pesquisa, pois não? Era verdadeira mosca-branca entre a molecada, lá pelos anos 50s. Quanto ao sobrenome da Shirley…” (Perdão, leitor, essa é outra história…)

Aí pelo interiorzão, a meninada criou um esquadrão chamado ‘Estilingue Brasil’. As pedras são os bombardeiros; as furquilhas, os reservistas, e os caças, de tripa de mico.

Receita de salvação: se os filhotes de gato perderem a mãe antes do desmame, dê leite de vaca com ajuda de um conta-gotas (ou uma seringa com um pedaço de tripa-de-mico), a cada três horas.

“Parece supérfluo, mas aumenta a aderência do blowpipe à boca e protege os dentes e o material do blowpipe. Basta cortar um pedaço de tripa de mico para cortar uma rodela…” Vai saber…

“Tripa de mico” também é nome de música; da banda “Os Bubukas”. Conhece? Melhor não.

Também dá para fazer foguete de propulsão a hidrogênio e oxigênio.

“E por falar em chefes bons, Paulo lembra de dois muito legais. Um é o próprio Nílson: tinha uma tripa-de-mico que ajudava a aplicar golpes nos alunos que não o obedeciam. Mas a tripa-de-mico era apenas a arma mais leve…” Socorro! O que será isso? Está na rede mundial.

Para dosar a quantidade exata de líquido que entra em garrafa de refrigerante. “Também serviu para enganchar os primeiros aparelhos de correção dos dentes, lembra?” Não.

Para caçar fantasma em igreja: amarrava numa árvore e no badalo do sino. Dessa, eu me lembro. A tripa ainda deve estar amarrada num galho de árvore, bem perto da torre da igreja do Carmo. Monsenhor Lázaro chegou e a gente fugiu.

Pregado no poste: “Está tão cara, que não há luz nem no fim do túnel”

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