Três verbos que…

Pergunte para as dez primeiras pessoas que você encontrar hoje: “Que livro você está lendo?”. Tomara que pelo menos uma responda. Pelas contas da repórter Adriana Miranda, você terá de perguntar para três mil até achar uma que, pelo menos, costume freqüentar bibliotecas em Campínas. Aqui ou em qualquer parte do Brasil. Afinal, este País inteiro tem menos livrarias do que a cidade de Buenos Aires, omessa!

Livro custa mito caro, mas isso não é desculpa para não ler. As bibliotecas da cidade, por enquanto, não cobram ingresso. Se elas forem privatizadas, é bem capaz. Mesmo que estejam desatualizadas, como muitos reclamam (com razão), livros não têm idade. Você já leu “Os Lusíadas”? Então. Está aí há séculos e a maioria de nós nem sabe dessa obra maior do idioma que nós mesmos falamos. É impossível que alguém já tenha lido todas as obras da estante de qualquer biblioteca. E antes que o argumento seja aquele manjado, de que os livros à disposição não agradam, é preciso, no mínimo, conhecer o enredo de todos.

Também não entre nessa de esperar os clássicos da literatura seduzirem autores e anunciantes da dona Globo ou algum cineasta em busca de patrocínio ou do Oscar. Jamais uma novela, minissérie ou filme será melhor do que o livro em que se baseiam. Isso nunca aconteceu. No livro, a imaginação é sua, em cumplicidade com o autor. Nas telas… Você acha bom alguém imaginar por você? Só o livro é capaz de deixar a criação por nossa conta; só ele nos dá essa liberdade. Experimente.

Quem gosta de fuçar descobre fatos interessantes até em lista telefônica, bula de remédio ou almanaque de laboratório. Incrível, mas há quem goste de “ver” a revista “Caras”! Quer algo pior? “Ver”, porque nela não há nada para ler.

Lemos pouco, quase nada, menos de dois livros por ano. Dizem, atrás de uma desculpa, que a causa está na natureza do país tropical; do sol,. Que convida para o lazer a céu aberto; do forte calor, que desmancha qualquer prazer de se acomodar diante de um livro; até do corre-corre da vida de hoje. Mas, repare bem, essas mesmas desculpas não tiram ninguém da frente da televisão… Note, também, que é mais fácil se esquecer do enredo (até do nome) de uma novela do que da trama de um livro. Ela fica para sempre na memória.

Já que você não gosta de ler (fazer o quê?), pelo menos induza seu filho à leitura. Não é difícil. Em primeiro lugar, não dê um livro a ele. Leia você um livro e conte a história para ele. Depois de algum tempo, dê a ele o livro com aquela história. Ele vai devorar. É batata. E você ficará fascinado com a experiência. Mais três ou quatro vezes e logo será seu filho quem estará contando histórias para você e pedindo um livro, em vez desses joguinhos imbecilizantes de vídeogame. Sinta que o linguajar dele vai melhorar, ficará mais rico, e a argúcia do raciocínio, mais acentuada. O gosto virá naturalmente, sem imperativos nem autoritarismos.

Desculpe se nesta nossa conversa usei alguns verbos no imperativo – reparar, notar, dar, sentir –, mas é que poucos verbos não têm imperativo, entre eles, amar, sonhar e… ler.

Pregado no poste: “No próximo Dia das Mães, você ganhará um livro de presente”.

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