Três mães

Uma mãe recorreu a uma solução polêmica em Feira de Santana, na Bahia. Marilene Costa acorrentou o filho de 17 anos em casa por dois meses. O garoto é viciado em drogas e a mãe temia pela vida dele nas ruas. Ele deve R$ 100,00 a traficantes e um juiz mandou interná-lo numa clínica. Nós, o povo, pagamos a conta da clínica, da polícia incompetente, da Justiça complacente e até o supersalário de deputados e ministros que querem liberar as drogas. (“Uma cheiradinha é como uma cervejinha”, disse Gilberto Gil).

Um bebê foi encontrado dentro de um bueiro, na manhã de quinta-feira, perto do sambódromo de Paulínia. A criança foi levada para o pronto-socorro.

A vira-lata Natália, mãe de sete filhotes nascidos dentro de um bueiro, ganhará um lar. Ela e seus cachorrinhos foram resgatados por moradores de Vera Cruz, ali perto de Marília, há 328 km de Paulínia. Natália e a única filhote fêmea serão adotadas pela doméstica Carmem Lúcia dos Santos.  “Bateu assim no meu coração, sabe?”, diz Carmem. Para proteger os filhotes do frio, Natália andou cerca de 20 metros dentro de um bueiro e fez um montinho de terra para dar à luz em um lugar quente e protegido.

Depois do parto, Natália buscou comida em um restaurante e entrou no bueiro de novo. O dono do restaurante seguiu a mãe extremosa e acionou a prefeitura e a polícia para retirar os filhotes. Conseguiram resgatar dois. Outros três foram salvos por duas crianças, porque a tubulação era estreita demais para a entrada de um adulto.

No dia seguinte, Natália estava agitada. “Aí, ela só faltou falar”, conta o comerciante Danilo Kirnew. A insistência foi tanta que um dos garotos voltou à tubulação e mais um cachorrinho foi retirado. “A gente vê mãe jogando filho na rua. Ver uma cachorra lutando pelos filhos é de emocionar; é de tirar o fôlego.”
No outro dia, nova surpresa. Um cinegrafista, ao filmar o local, ouviu o barulho de mais um filhote, também resgatado.

A família – isso é família, sim! — está abrigada nos fundos do restaurante de Kirnew e deve ficar lá mais uns dez dias. “Eu tô avaliando o currículo de quem tá levando os cachorros. Tem de ser alguém de confiança. Eles já sofreram demais só de ter crescido ali dentro do bueiro.”

Querida Natália, sou órfão, mas se você me adotar, eu vou.

Pregado no poste: “Por que mães de traficantes não os amarram em casa?”

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