Três mães e um não

O Piauí só não é pior, porque o Maranhão, do consórcio Sarney-Murad, não deixa. Mas deve estar acima do Primeiro Mundo. Fome, mortalidade infantil, endemias, analfabetismo, miséria, criminalidade… Não tem para ninguém. Eles não sabem o que é isso. As prioridades por lá são outras. Tanto que, semana passada, os moradores da cidade de Esperantina, pertinho de Teresina, celebraram o inédito “Dia do Orgasmo”, iniciativa do ex-vereador Arimatéia Dantas, do PT. Medida vetada prudentemente pelo prefeito, mas adotada convenientemente pelos espertinhos, digo, esperantinos.

“O orgasmo é dom de Deus” e “Fim ao silêncio! O orgasmo precisa falar!” anunciavam faixas a saudar a população no amanhecer de quinta-feira. A “urna do orgasmo” circulou pela cidade, recebendo expressões de desejos, dúvidas e frustrações. E à noite, veja você, houve um seminário sobre o orgasmo. Duvida? O juiz da cidade, Almir Silva, fez uma conferência sobre o tema (Juro, é tudo verdade!) “Implicações jurídicas do orgasmo”…

Uma vez, éramos ainda pivetes, mas não sem-vergonhas, o Roberto Godoy, a Cidinha (Chica, Chica…) e eu inventamos de fundar uma agência de comunicação, quando isso era novidade no mercado. A gente nem sabia direito o que comunicar, mas confiávamos no nosso sonho e na aposta que o mercado faria naquele trio. A idéia surgiu sem querer, depois de um café, numa tarde chuvosa no Regina. Mandamos cartas de apresentação para várias empresas. Até me lembro de algumas: Lojas Americanas, Casa Nova América, Transportadora Irmãos Vieira, a Cacic – Companhia de Automóveis Cidade de Campinas, Companhia Curtidora Campineira (aquela do sabão “3C”, lembra?)…

Os três, Betão, Chica e eu, fomos engalanados a um contador, e de lá saímos “justos e combinados”, certos de que a agência havia nascido, de papel passado e tudo. Nasceu morta. Nossas mães a mataram, quando o contador, homem de moral ilibada e conservador assustado, contou a elas o nome de batismo da agência: “Orgasmo Assessoria Técnica de Comunicação Limitada”. Imagino aquele senhor, espantado, contando nossa empreitada: “Imagine! Dois rapazes tão distintos e uma moça (Oh! Uma moça!) como sócia de uma empresa com esse nome! Não pode!!!”

Recebemos um ‘sabão’. Mas dois jornalistas e uma bela professora (além de uma professora bela) saíram daquele orgasmo.

Pregado no poste: “Feliz Dia das Mães para a sua mãe”

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