Tortura ainda mais

Arrastar jovens presas ou amaradas aos automóveis já é crime banal. Jogar do alto de um prédio, também. Ou lançá-las contra o para-brisa de carros em movimento. Já há quem faça isso com cachorros, até matá-los de cansaço, usando motos. São casos acontecidos nestas campinas, outrora gentis. Mas no resto do Brasil, outras cidades já eram palco de atrocidades, como virou esta nossa atroz cidade. Naqueles tempos de bairrismo e orgulho justificados, havia Campinas e o Brasil era o resto. Não vale nem lembrar do ainda famoso “Caso Aída Cury”, jovem de 19 anos jogada do alto do edifício Rio Nobre, na Avenida Atlântica, Rio, em 1958.

Tão banal é a violência, que nem se divulga mais o nome dos bandidos.

Ronaldo Castro, Cácio Murillo e Antônio João toraram-se inesquecíveis por causa de Aída, que hoje, dizem, faz milagres em seu túmulo, no Cemitério do Caju. Campinas projetou Ameba, Grilo e Seabra, em 1963. A ‘façanha’ deles foi notícia até na edição da noite do Repórter Esso da Rádio Nacional do Rio, na voz indignada do Heron Domingues. Na tarde daquele sábado 17 de novembro de 1963, os três covardes, de dentro de um carro, laçaram uma garota no alto da Campos Salles e a arrastaram às gargalhadas pela avenida. A coitada salvou-se por pouco. Policiais os pegaram na Avenida Anchieta (naquele tempo, a polícia pegava bandido, filhinhos de papai ou não).

Adianta pegar bandido hoje? O pai jogou o filho contra um carro em movimento enquanto a mãe batia a cabeça da filha contra uma árvore. Estão presos? Aqui em Ribeirão Preto, outro covarde arrastou uma garota e seguiu largando pedaços dela por cinco quilômetros – nem foi julgado.

Nesta mesma cidade, a atriz Lígia Carla Marco, de 20 anos, morreu ao ser arrastada por um Monza pelas ruas do centro, presa ao para-choque. No começo deste ano, uma menina de 12 anos foi arrastada por 20 metros, quando saía da escola, por um Chevette azul, com placas de Paulínia. A motorista fugiu sem prestar socorro. Foi presa? Será julgada?

Dia desses, uma jovem se despediu do namorado e resolveu levar o carro a um lava à jato, aqui em Campinas. Coincidência. O gajo teve a mesma idéia, mas preferiu a companhia de outra. Furiosa, a menina traída abordou a dupla pela porta do carro. Levantaram o vidro e partiram. Ela ficou com uma das mãos presas e também foi arrastada. Há uma vítima chorando a traição e um “tentativa de homicida” solto nas ruas. Foi preso? Identificado?

Pregado no poste: “Ainda pedirão ao Lulla para conter o vazamento de óleo nos EUA e soprar o vulcão da Islândia”

 

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