Tiros de ciúme na Catedral

 

Como dizia Napoleão Bonaparte, “prefiro um exército pelas costas do que uma mulher ciumenta pela frente”. Elas não respeitam hora nem lugar. Só o coitado do Donizete de Oliveira não sabia disso. Ele é ajudante geral da Catedral de Ribeirão Preto. Mas a Terezinha Aparecida de Sousa, mulher do Donizete, não quis dar moleza para ele. Arranjou um emprego de faxineira — sabe onde? Na Catedral, claro.
Aquilo não ia dar certo. Eles viviam quebrando o pau, mesmo em plena Casa do Senhor. Viviam casados (e aos tapas e beijos) há quinze anos. Ciúme? Ela não quer nem saber. Sorte que o templo da matriz é dedicado a São Sebastião. Fosse Santo Antônio, o casamenteiro, ia sobrar pra ele também. Vocês não conhecem a Terezinha. Nem eu, tá louco. Ela foi batizada em homenagem a uma das mais populares santas da igreja católica e a primeira a ser fotografada. Donizete vai na mesma linha. Quem não conhece o padre Donizete? Grande alma, já é santo para seus devotos e para a cidade de Tambaú, aqui pertinho – curou o menino Joelmir Beting da gagueira. Duvida? É verdade!
Pois ainda esta semana, acho que terça-feira, bem na hora do almoço, o pau comeu outra vez, e dentro da igreja. Gritos, corre-corre. A Terezinha puxou o revólver calibre 22 e mandou sete balas pra cima do seu Donizete. Ele nem viu de onde a arma saiu, se de trás da calcinha ou de dentro do sutiã. Correu, subiu as escadarias que dão pras torres e, no primeiro vitral, varou, caiu no jardim e quebrou o pé. Ela foi atrás. Sem saber se tinha matado o marido, parou na mesma janela e começou a se cortar com os cacos do vitral. Lanhou todo o pescoço e falou em se atirar. Mas bobeou. Foi salva por um soldado. Donizete saiu das Clínicas com o pé engessado, mas o corpo sem furos. Terezinha, foi para o presídio de mulheres, em flagrante tentativa de homicídio, amargando a má pontaria. Na Catedral, não se comenta o “causo”, já que em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher. Até o padre, que nunca se casou nem tem mulher ciumenta, sabe disso.
Aí em Campinas, faz tempo, deu-se arranca-rabo parecido. A mulher esperava a vez de se confessar, já ajoelhada no confessionário. O marido, sem saber, confessava ao padre do outro lado. Portinhola esquecida aberta, ela ouviu tudo. E pela primeira vez, um casamento se desfez na igreja e diante do padre.
Sabe quem era o casal? Era a… Acabou o espaço…
Pregado no poste: “Há quanto tempo você não se confessa?”

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