Tira o leite

(No dia em que a Câmara absolveu João P. Cunha, morreu Carequinha, criador do bordão “Hoje tem marmelada?”)

Ele é o filho da dona da pensão. Naquele tempo, Hotel Dalva, que nem o Zeza Amaral se lembra de onde se estabelecia. Mas você sabe que o primeiro caubói brasileiro é campineiro!? Mesmo campineiro, ele não é ‘cauboiola’, como os desse filme da moda. Caubói de verdade, de calça rancheira, revólver na cinta e chapéu que não cai nem com surra de todos os bandidos. Mas caubói que se preza não pode, nunca, se chamar Nelson Roberto Perez. Veja se isso é nome do mocinho!

Então, virou Bob Nelson, aqui nascido pelas bandas de 1918, filho do espanhol José Perez, ferroviário da Mogiana, e de dona Florismina. Fez o grupo escolar no anexo da Escola Normal e se formou contador na Escola de Comércio São Luiz. Antes de ser ‘crooner’ do Julinho e solista do conjunto ‘Cacique’, na Rádio Educadora, trabalhou na Mogiana, foi contador do Frigorífico Armour, vendedor das meias ‘Etehel’ e caixeiro-viajante. Quando Carmen Miranda se apresentou em Campinas em 1939, ele e Paulinho Nogueira tocaram para ela.

Uma noite, depois de assistir ao filme ‘Idílio Nos Alpes’, no Cine Rink, Barão com Conceição, começou a se comunicar com um amigo à maneira das montanhas do Tirol, como o caubói-cantor Gene Autry: “Tiro lei-í-te…”. Deu um jeitinho e adaptou o enorrrme sucesso “Oh Suzana!”, de Stephen Foster, e arrebatou multidões, dos serviços de alto-falantes dos coretos das pracinhas aos cassinos, teatros e rádios do Rio de São Paulo.

Fez dupla com Libertad Lamarque (vixe!) e Gregório Barrios (vixe!, de novo) acompanhado por Luiz Gonzaga – Gonzagão em início de carreira. Na voz de Bob, Suzana vendeu mais de 300 mil cópias nos anos 40. Nem Roberto Carlos, de quem é ídolo (confissão do Roberto, não empolgação de campineiro orgulhoso.). Cantou também para o general texano Douglas McArtrhur, aquele que fez o Japão assinar a rendição na Segunda Guerra. De 1946 a 1971, fez uns dez filmes, gravou discos e discos, e se aposentou na Rádio Nacional, em 1976.

Bob casou-se com Antonietta Leal Perez, em 1950, e têm dois filhos, Nelson Roberto e Eduardo José, e dois netos, Luciana Antonela e Victor Eduardo.

Campinas tem cada uma!

Pregado no poste: “Mas o Lulla não tem idade para saber?”

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