Sorria. Você está na rádio

Ouvi e foi contagiante. Ataque de riso diante do microfone é incontrolável. Os ouvintes são simpáticos e dificilmente reagem mal.

Um dos mais importantes apresentadores de rádio e televisão do Brasil, o querido Kahlil Filho, passou por essa experiência em Campinas. Nascido em São Joaquim da Barra, nosso “Bolostrofo” começou a carreira na Rádio Brasil. E culminou no Show da Manhã, da Joven Pan, depois de ‘ser’ o Repórter Esso, da TV Tupi; apresentar o “Primeira Hora”, na Bandeirantes, e o “Astros do Disco”, na TV Record. Aqui, o saudoso Synésio Pedroso, dono da Brasil, escrevia a crônica diária, lida na hora da Ave-Maria. Khalil era o escolhido. Naquela tarde, riu na hora sagrada do Ângelus e foi para a rua. Digo, para o estrelato.

Geraldo Sussoline (figura maravilhosa!) e eu apresentávamos o noticiário esportivo na Rádio Cultura. Numa notícia sobre luta-livre, o Mário Melilo, redator do programa, separou o nome do lutador Chimminazo, colocando “Chim” no fim da folha e “minazo” no começo da outra. Eu li “Chimpanzé”. Acabou o programa. Quando o Cunha Mendes, que ouvia no rádio do carro, chegou esbaforido para salvar a lavoura, já havia passado da hora. Foi assim com José Arnaldo Canisin (vozeirão!) e eu, na leitura do resultado de uma eleição parlamentar. O candidato se chamava João Lemos, mas a lista do TRE estava apagada. Saiu “Jacu”. Foi a maior “cortina musical” da história.

Está rindo, né? Mas outro dia, na grandiosa BBC de Londres, a apresentadora Charlotte Green teve um ataque de risos, depois que foi tocada uma fita de 10 segundos com a gravação de 1860 de uma artista francesa cantando a canção folclórica “Au Clair de la Lune”, a mais antiga gravação da voz humana. O descontrole avançou para a notícia seguinte, sobre a morte do roteirista Abby Mann. Ninguém chiou, nem a família do morto. Pelo contrário, tanta gente ligou para a BBC, que ela repetiu o vexame da Charlotte. Ela confessa que riu porque seu colega de bancada disse que a voz da cantora parece o zumbido de uma abelha presa em uma garrafa. Parece, mesmo.

Ninguém ficava sério perto do Sussoline. Num microfone, um locutor dizia “amanhã a Ponte vai jogar com o Atrético”; no outro, baixinho, Sussuca sussurrava “uuuiiii”. “E o Guarani, meu caro ‘Gerardo’, vai pegá o Fruminense.”. Sussoline gania: “Meu Deus!!!”. Só quem ouvia a rádio percebia. Até que o locutor anunciou: “Meu caro ‘Gerardo’, agora eu vou sortear um aner…” “No meu programa você não vai dar o ‘aner’ pra ninguém!”

Uma vez, eu apresentava o “Jato da Verdade” e ele jogou uma barata no meu bolso. Viva. A mãe dele foi xingada no ar. Seo Abel, dono da rádio, ficou horrorizado (naquele dia ele não estava ouvindo a Eldorado), mas disse que eu fiz bem.

Pregado no poste: “Dedicada ao comendador Abel Pedroso”

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