Só tem Tin Tin

Com a ajuda de três “carrófilos de nascença”, os campineiros Gustavo Murgel e Roberto Godoy e o cosmopolitano Luís Carlos Rossi, vamos assistir a quem rodava Campinas a bordo de carrinhos e carrões iguais aos do detetive Tin Tin. Cuidado com o Milou — não pise nele.

Lincoln 1925, o primeiro daquela frota. O dr. Múcio, Roberto e Oscar Rossi, pais dos nossos heróis, tiveram essa máquina. O médico radiologista Manuel Dias, com consultório na Barão de Jaguara, também. Diz o Godoy que um certo Sr. Lello importou de uma vez um lote do Rover, do Tin Tin, “parecido com o Anglia”, mais alguns Prefect, iguais aos do Ademir Torquato, do monsenhor Bágio e do professor Amaury Fratini. (Para viajar no do Ademir, os passageiros tinham de pedalar.).

Aquele trio e o Reinaldo Leone também rodaram de Buick, enorme. O Sr. Martinho, marido da nossa Celina Duarte Martinho, era revendedor Austin. Numa casa vazia, perto do Brinco de Ouro, em rua paralela à Avenida dos Esportes, descobriram, depois de muito tempo, um Chevrolet 32, como o do Tin Tin, em cima de um cavalete. Enquanto ficou na ‘garagem’, deu tempo de crescer uma palmeira imperial na frente do portão. “De quem seria?”, pergunta o dr. Murgel. “Foi parar no museu do automóvel de Caçapava”, diz o Godoy.

O Cadilac 1939 passava com o prefeito Miguel Cury ao volante. E a turma gritava: “Obrigado, Migué!”. Grande figura! Álvaro Volpe, representante dos Brinquedos Bandeirante, teve o primeiro Ford com motor V-8, modelo 1936. E os Vauxhall? Eram do seo Machado, diretor do Jóquei Clube, do dr. Múcio e do Bento Moraes. Um Opel Olímpia, avô do Opala, era do Schmüzler, representante da Brahma. Aquele Citroen, sempre preto, largo, centro de gravidade zero e que nunca capotava, teve vários fãs: Oscar Rossi, o agrônomo Jorge Bierrenbach de Castro, Gustavo Murgel e a madre-superiora das irmãs de Jesus Crucificado. Os Ford Zephir eram cativos dos taxistas da Estação da Paulista. O Ângelo Lepreri, dono do restaurante Armorial, teve um Lancia – ele corria em rally na Europa. O pai do Godoy teve um Morris Six.

A mãe do Gustavo Murgel, d. Maria Egydio de Sousa Aranha, foi a primeira campineira a dirigir um Jeep Willys pela cidade. E muita gente tirou carta apreendendo na frota de ‘jipes’ do Adolfo, da auto-escola Campinas. O Cleber Tosi, pai da Meyre Raquel, que nasceu no Citroen dele, também teve um carro incrível, o Panhard 1957.

Agora, um Jaguar daqueles, K-120, roncava nas mãos do Luís Carlos Prado e do Luís Rafael Henriques, o Lói, amigo-irmão muito querido, que há duas semanas diverte o Céu.

Pregado no poste: “Passa, Milou!”

 

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