Só contra os insetos?

Como diria o ‘bispo’ Macedo, “Nossa Senhora!”. Outro dia, naquela seção “Correio há 50 anos”, o Scarpa, lá do nosso arquivo, “pescou” um anúncio que, hoje, daria cadeia. Aparece a silhueta de uma mulher deitada na cama e um homem, em pé, segurando o… Espere aí, nada a ver com o casal. É que o homem segura o tubo de inseticida e diz: “Sem Shelltox não daria para dormir.”

Os inseticidas de antanho matavam os insetos e as vítimas dos insetos. Nas emissoras de rádio e de televisão, até musiquinha acompanhava os apelos de venda dos venenos. Lembra? “Sheeellltox mata moscas e baratas; se o inseto resiste, Sheltox desacata…”  Desacata? Esse é o único anúncio do mundo com a palavra “desacata”. E aquele: “Maful é Bayer e se é Bayer, é bom. Maful!”. Uma dona de casa me ouviu cantando as duas e garantiu que o Maful ainda existe. Existe Maful e o Maluf, também. Os dois nomes são parecidos: uma mata inseto e o outro mata a gente – de tristeza.

Outra dona de casa, mãe da Eliane Santos, aqui da nossa Agência Anhangüera, ainda usa… Sabe o quê? Flit! Ela mora num sítio em ‘Mugir’ das Cruzes e jura que naquelas bandas ainda vendem o Super Flit, na lata vermelha, azul e branca, e a bomba! Aquela bomba que a gente corria com ela atrás dos mosquitos fazendo “fuc, fuc, fuc”, lembra? Meu Deus! A gente fazia “fuc, fuc” com mosquito! E os espirais de matar pernilongo? Um, verdinho, se chamava “Epril”. Espetado numa lâmina de metal, chamegava a noite inteira.

Hoje, esses venenos prometem ser mais inofensivos. Um garante que é “terrível” só contra os insetos. Será?

Insuperável, mesmo, era a propaganda do Detefon, à base de DDT, imagine, fabricado pelo Laboratório Fontoura, o mesmo do biotônico. “Detefon é que mata moscas e mosquitos, pulgas e baratas.. Na sua casa tem barata? Não vou lá/ Na sua casa tem mosquito? Não vou lá/ Na sua casa tem pulga? Peço licença para mandar Detefon no meu lugar…”

Quando Getúlio Vargas era ditador e o Fillinto Müller (que nojo!), seu chefe de Polícia, a dupla Alvarenga e Ranchinho satirizou: “Na sua casa tem anarquista? Não vou lá/ Na sua casa tem comunista? Não vou lá/Peço licença para mandar Fillinto Müller no meu lugar…”

         Pregado no poste (em Paulínia): “Você pode confiar na Shell?”

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