Só Campinas perdeu

O futuro prefeito de Campinas (ou prefeita, desde que seja outra) tem obrigação moral, social, cívica e religiosa de esculpir em placas de titânio ou barra de urânio exaurido e expor em cada átomo desta cidade, até no Céu, o artigo “Desmoronamento de um sonho”, do mestre Rogério Cerqueira Leite, publicado na edição deste nosso Correio Popular, quarta feira passada. Assim, ficará claro, para sempre, que o povo não tem culpa nenhuma pelo atraso em que vive:

Resumo da lição deste professor que orgulha o País em que nasceu:

“Em meados da década de 70, dois professores da recém-criada Unicamp apresentaram ao prefeito Lauro Péricles Gonçalves seu projeto revolucionário à época; o primeiro do mundo a ser planejado. Ele foi inspirado em acontecimentos espontâneos ocorridos nos Estados Unidos, dentre eles os famosos Vale do Silício, na Califórnia, e a Rota 128, em Massachussets. Neste último quarto de século, ficou comprovado inequivocamente o imenso potencial econômico, científico e tecnológico desta fórmula. As 10 mil empresas do Vale do Silício apresentam um faturamento equivalente ao PIB industrial brasileiro. Hoje, há pelo menos 300 tecnopólos em todo o Planeta, com desempenho econômico excelente. E o principal fator deste sucesso é agregação em um mesmo espaço físico de universidades, instituições de pesquisas e empresas intensivas em tecnologia. Era, portanto, essencial reservar um espaço para acomodar esse complexo tecnológico mesmo que demorasse o País a amadurecer sua política de desenvolvimento tecnológico.”

Chicos Amarais e Jacós da vida desdenharam o projeto, só recuperado pelo Grama. Os Chicos voltaram e desdenharam de novo. Grama retomou e seo Toninho apostou na idéia, que já se consolidava graças à inteligência do Grama. Seo Toninho colocou o próprio professor à frente do empreendimento. Aí, aconteceu a maior tragédia da história da cidade: mataram ou, acho, mandaram matar seo Toninho, e eis que surge a formidável dona Izelene.

Resultado de tudo, narrado pelo mestre: “Começa, assim, o desmoronamento do sonho do cidadão campineiro de que sua cidade se torne o Vale do Silício do Brasil. Perde também a Nação, que abdica do melhor espaço de que dispõe para instalar um pólo tecnológico de dimensões econômicas compatíveis com suas aspirações de desenvolvimento.”

Será que alguém ganhou com essa história imobiliária aí pelas bandas de Barão Geraldo? Campinas não foi. Dona Izalene, a senhora sabia (sabia nada!) que o barão Geraldo de Rezende se matou? Será que foi por causa de uma cartomante que revelou a ele o futuro de Campinas?

Pregado no poste: “Vixe! Mais um ano!?”

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