Só caipira

Eu tô falando! O único ser humano que entende de rio é o caipira. Só o caipira sabe de todas as manhas, cardumes, curvas, iaras, braços, cachoeiras, remansos, choros, praias e afluentes. Se a mulata é a rainha do samba desde antes de nascer, o caipira é o rei dessas águas que correm para o mar. A prova está na manifestação da menina Aryane Cristina Martins Roque, aluna da escola do Sesi, aqui de Ribeirão Preto. A nossa EPTV promoveu um concurso de redação em 66 cidades da região – milhares de alunos. A professora dela se chama Ângela Cristina Arantes, que deve estar toda, toda…

A Aryane escreveu no linguajar do caipira – pensa que é fácil? –, com a alma do caipira e já começou bonito no título: “Matuto indignado”. E foi em frente. Vamos com ela?

“Quando óio pra cidade vejo e sinto tanta saudade do meu tempo de menino, das pesca, dos bagres, das traíra e dos surubim. Hoje tô velho e cansado, sinto o rio tão machucado pela farta de cuidado e por tanta sujeira acumulada nas encosta.

Sou bom prosiadô, mas não sei falá belas palavras, por isso num sô aceito num prenário de político prá dá minhas opinião, mas gostaria que essas chegasse a nação.

Quando vejo os homi da cidade falá da tar mata ciliar, sinto aqui no peito uma dor e inté indignação: “Quem são eles prá falá duma coisa que eles não conhece, num sabe e nem toma cuidado?”

A encosta dum rio é sagrada, é lugar de proteção, tanto pro rio que fica bem guardado, quanto pra terra contra a erosão. Num sô dotô! Nem dipromado, mas a ciência tá no meu coração.

Os homi da cidade traiz com essa tar modernidade um pobrema grave que é a assoriação.

Quando lembro do Rio Ribeirão, que dum desenho esculpido da natureza se tornô uma linha reta mais parecido um esgoto a céu aberto, isso, dói meu coração.

Todo homi tem princípio e deve pensá na sua origem, tomá cuidado cás mata que dá vida e óia que fim que tá levando.

Tá nas nossa mão mudá o curso do Rio da nossa história.”

Puts! 14 anos!!!

Um beijo Aryane. E ainda falam que Deus não existe!

Pregado no poste: “Enquanto isso, Campinas celebra a Revolução Russa. E sem licitação. Cafona…”

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