Sigilo absoluto

Juro que eu não conto pra ninguém.

Nesse quilômetro 92 da Via Anhagüera, onde largaram o carro-bomba, ontem, havia um monumento com o busto do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros. Ele era casado com a campineira Leonor Mendes de Barros, “senhôra de peregrinas virtudes”, como a ela se referia o maior inimigo do marido, o jornalista Júlio de Mesquita Filho, então diretor do ‘Estadão’, que só sossegou na vida quando viu o A. de Barros cassado (o jornal não escrevia o nome dele inteiro). Mas o doutor Julinho tinha razão…

A “revolução” cassou o A. de Barros e no lugar dele entrou o vice, Laudo Natel. A emenda ficou igual ao soneto. Até hoje, ninguém sabe quem foi o autor – ou autores – da ousadia. Numa noite de chuva, arrancaram o busto do Adhemar de Barros e jogaram na porta do prédio do “Correio Popular”, aí na Rua da Conceição. Escândalo! O homem ainda era vivo. E, apesar de cassado por corrupção, queiramos ou não, foi ele quem fez a estrada. A peça foi entregue às ‘otoridades’ e, depois de restaurada, posta no lugar outra vez. (O Roberto Godoy manda avisar que tempos depois, arrancaram o busto de novo e sumiram com ele de vez. Onde estaria? Você sabe?) Na época, mil especulações, até que teria sido uma farra dos alunos da Escola de Cadetes, com a vista grossa dos militares, que se limitaram a rir da molecagem dos seus meninos.

Já contei esta história aqui. Estou repetindo, porque, certa vez, via ligação anônima, disseram que se eu contasse outra vez, seria a senha para que os autores da depredação se revelassem. Depois de trinta e cinco anos, por aí, o “crime” prescreveu. E perto do que a Maria Teresa Costa nos conta sobre os vândalos da cidade, aquilo foi brincadeira de anjinhos.

Agora, uma organização criminosa, segundo uma tal de Petrolina disse para a polícia, inventou de largar um carro com roupa suja e não sei quantos quilos de explosivos no mesmo lugar onde estava o busto do Adhemar de Barros. Os tempos são outros: antigamente, arrancaram um busto; desta vez, querem arrancar a vida de funcionários e investidores da Bolsa de Valores de São Paulo.

Vamos fazer uma coisa? Assim como jurei sigilo para os vândalos do busto, garanto que não digo quem deixou o carro com os explosivos ali na Anhangüera. Só revelo no dia em que o padre Caran contar quem matou o Alecrim do Largo da Catedral.

Pregado no poste: “A Ponte não ganha nem do Corinthians e o Guarani, nem do São Paulo”

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