Shell dá o ‘Esso’ para o Correio

Foi há trinta anos. Computador era “coisa de americano”, “invenção de japonês”, “brinquedo de cientista louco”, “engenhoca das arábias”. Um grupo de brasileiros (brasileiros, sim senhor!), alcançava a façanha de construir um computador em Campinas, lá no acolhedor “Sítio do Zefa”, a nossa Unicamp do professor Zeferino Vaz e seu fascinante Instituto de Física. Ali se fez o “Projeto Cisne Branco — o primeiro computador brasileiro”, que o repórter Roberto Godoy revelou para os brasileiros, e o Correio Popular deu a Campinas seu primeiro Prêmio Esso. Aquela luz, que faz desta cidade o ponto iluminado do Brasil, brilhou mais forte.

Naquele dia, até a vinheta da Rádio Cultura mudou. Seu Abel Pedroso mandou a gente falar ao microfone, a cada intervalo: “Nós trabalhamos em colaboração com o Correio Popular, aquele que tem o Prêmio Esso de Jornalismo, tá?” E com que orgulho eu dizia isso! A cidade inteira se orgulhava. “Prêmio Esso” não era coisa só do Estadão, da Veja, da revista O Cruzeiro ou do Jornal da Tarde. O Correio da nossa Campinas também já estava nessa galeria dos maiores da imprensa do Brasil. E nunca mais saiu.

Em 1994, por uma diferença mais fina do que o pêlo do beiço da pulga, não se repetiu a dose, com a melhor cobertura da Copa do Mundo nos Estados Unidos. Três anos depois, um “Esso” maior que o da Copa. Este jornal dos campineiros foi reconhecido como a “melhor contribuição à imprensa do Brasil”.

Agora, essa meninada dá outra demonstração de que ainda há esperança para uma comunidade cujos jornalistas não perdem a capacidade de se indignar. O Mário Rossiti e o Marcelo Villa acordam e dormem pensando nos outros. Não olham para dentro de si, mas para as condições de vida dos cidadãos do mundo, do Brasil, da cidade – e da região – onde vivem. Descobriram um grupo de cidadãos como eles, como nós, como você, vítimas de envenenamento (sem querer, vá lá) provocado por uma multinacional. Multinacional?!?! E daí? Os tempos são outros, a imprensa é livre, para dizer a verdade.

Pareciam dois ‘Davis’ armados de caneta e papel, com quartel-general nesta redação, que fizeram dos direitos daquelas vítimas um dever da Justiça. Fizeram a parte deles e a Justiça, a dela. Ganharam a batalha e a aquela comunidade recuperou a dignidade e o direito sagrado de voltar à vida sem ameaças.

Mário e Marcelo são filhos da PUCC, caipiras como nós. Mário, de São José do Rio Preto, e Marcelo, de Itu. Embora só o Marcelo seja de Itu, os dois são “tremendos” repórteres. Sempre a serviço da nossa gente, puros-sangues, de uma raça em extinção. Parabéns.

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