Seguro morreu de novo

Outro dia, conversamos aqui sobre as explicações de fiscais do crédito agrícola do Banco do Brasil a respeito das condições em que encontram as fazendas de produtores que conseguem empréstimo no BB (o banco, não a Brigite Bardot… lembra dela?). É a eterna vigilância. Seguro é um negócio como outro qualquer, mas que no Brasil não se dá muito importância. Nos Estados Unidos, companhias de seguro produzem até seriado de televisão para atrair cliente – quem está chegando aos cinqüenta deve lembrar-se do Shanon (vivido pelo ator George Nader), um agente de seguro encarregado, justamente, de combater quadrilhas especializadas no golpe do seguro. Passava nas noites de quinta-feira, na TV Tupi, já canal 4.

Agora, me caem nas mãos umas folhas de papel sulfite com frases colhidas em formulários de companhias de seguro, em que os motoristas descrevem seus acidentes, com breve comentários. Algumas histórias me fazem lembrar de uma vizinha, que tirou carta depois dos 60 anos e cometia as maiores barbaridades no trânsito. Um dia, fez o balão no fim da rua e acabou com o carro sobre a calçada, entalado entre uma árvore e o muro de uma casa. O guarda perguntou: “Como a senhora conseguiu fazer isso? O que eu ponho na ocorrência? Que a senhora e o Fusca caíram do céu?”. (Se eu contar onde aconteceu, todo mundo vai saber quem foi a barbeira.) Vamos lá?

“O pedestre não tinha idéia para onde ir, então eu o atropelei.”

“Eu vi um velho mole, de cara triste, quando ele caiu do teto do meu carro.”

“A causa indireta do acidente foi um rapazinho num carrinho pequeno com uma boca enorme.”

“Eu tinha certeza de que o velho não conseguiria chegar ao outro lado da estrada; então, eu o atropelei.”

“Eu disse à polícia que não estava machucado, mas quando tirei o chapéu, percebi que tinha fraturado o crânio.”

“Eu fui atirado para fora do meu carro quando ele saiu da estrada. Mais tarde, fui encontrado numa vala por umas vacas perdidas.”

“Eu pensei que minha janela estivesse aberta, mas descobri que estava fechada, quando botei a cabeça pra fora.”

“Eu bati contra um caro parado que vinha em direção contrária.”

“Um caminhão deu ré pelo meu pára-brisa, direto na cabeça da minha mulher.”

“Eu saí do acostamento, olhei para a cara da minha sogra e caí pela montanha abaixo.”

“O cara estava por tudo quanto era lado da estrada. Eu tive de desviar uma porção de vezes antes de atropelá-lo.”

“Eu vinha dirigindo já há quarenta anos, quando dormi no volante e sofri o acidente.”

“Um carro invisível veio, não sei de onde, bateu no meu carro e desapareceu.”

“Meu carro estava estacionado legalmente, quando ele foi de ré no outro carro.”

“Eu estava a caminho do médico com um problema na traseira, quando minha junta universal caiu, causando o acidente.”

“De volta para casa, eu entrei com meu carro na casa errada e bati numa árvore que não é a minha.”

Pregado no poste: “Brasil, de riquezas naturais e tantas riquezas artificiais!”

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