Segurança máxima

Estava eu atrás de como a enciclopédia Barsa trata Campinas e caí num sítio muito interessante, de nome “Coluna Regional”, creio que feito em Mogi Guaçu: não há pista segura de sua origem — o expediente nada revela. Abrangente essa ”Coluna”, com informes de Conchal, Mogis Guaçu e Mirim, São João da Boa Vista, Estiva Gerbi, Monte Sião, Itapira e adjacências.

Chamou-me a atenção uma reportagem completa e bem escrita sobre a Biblioteca Guaçuana, há 69 anos atraindo a leitura da população daquelas adjacências. São 29 mil sócios! Acho que ela tem mais sócios do que a Ponte ou o Guarani. E 40 mil títulos! Mais de 500 em Braille. Só para infanto-juvenis, são oito mil. Gostaria de ver uma reportagem como essa sobre a nossa Biblioteca Municipal “Roque Melillo” (Seo Roque fez mais por Campinas do que muitos políticos.). É que a “Coluna” escolheu a de lá para sentir a alma do povo. Há procura pelo Corão, a “bíblia” dos muçulmanos; pela “Estrela Solitária” (o Garrincha, do Ruy Castro); o “Escorpião”, da Bruna Surfistinha; obras religiosas e espíritas – gosto diversificado pela leitura em Mogi Guaçu.

Olhe só a “parada de sucessos” da semana passada:

1º) Símbolo Perdido – Dan Brown; 2º) Série Crepúsculo; 3º) A Cabana – William Young; 4º) Uma Breve História do Mundo – Geoffrey Blainey; 5º) Série : Os que não amavam as mulheres (I) – A menina que brincava com fogo (II) – A rainha do castelo de Ar – Stieng Larsson; 6º) O Silêncio dos Amantes – lya Luft; 7º) As Gêmeas – Monica de Castro; 8º) O Pai Invisível – Kledir Ramil; 9º) O Ladrão de Raios (I) e O Mar de Monstros (II) – Rick Riordon e 10º) Greta – Mônica de Castro. Confesso, não li nenhum, mas o “Corão” e a “Estrela”, claro.

Entre as biografias, a Surfistinha ainda leva a taça, mas, felizmente, há os que se interessam pela vida da Carmen Miranda, Maysa, Anne Frank, Mauá, Saulo Ramos e Chico Anysio, além da do Tim Maia, Barack Obama e do Paulo Coelho (de cada dez leitores, nove não gostam, mas não leram – como eu…).

Uma boa reportagem não dispensa curiosidades. Diz o repórter que alunos insistem em pesquisar na “Enciclopédia Balsa”. Há quem se interesse pela “Anatomia poética do Carlos Drummond de Andrade” ou pela “Dona Rosa e seus dois maridos”. Duas alunas pediam um livro dobre “menininho”, “pequeninho”, “miudinho” até a atendente descobrir: “Aleijadinho!”

A Neide, atendente da Guaçuana João XXIII, me disse que há um exemplar da obra “Raízes do Brasil”, do Sérgio Buarque de Hollanda. E que está no lugar certo. Não conte para ninguém, mas na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, ela estava na seção de Botânica!

Creia: não existe lugar melhor para fugir da violência e dos ladrões do que as bibliotecas. Elas abrigam a maior riqueza de uma cidade, mas os ladrões são burros.

Pregado no poste: “Em Dourados, dão sapatadas em vereadores”

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